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300 empresários organizaram uma frente com adesão de 209 parlamentares no Congresso. Eles falam em apresentar projetos em áreas como a tributária e até a segurança pública

Luciano Hang, da Havan, é um dos membros do grupo. (Foto: Reprodução/Instagram)

Um grupo de 300 empresários criado em 2018 para dar suporte à tentativa de Flávio Rocha, dono da varejista Riachuelo, de se candidatar à Presidência, está se institucionalizando com o objetivo declarado de assumir um maior protagonismo político e furar os canais tradicionais de lobby empresarial hoje comandados por entidades de classe. Eles conseguiram a adesão de 209 parlamentares no Congresso e falam em apresentar projetos em áreas como a tributária e até a segurança pública. A informação é do jornal O Globo.

Em um movimento turbinado pela crise política que afeta os partidos, eles falam também em eleger representantes nas eleições municipais de 2020. E, em 2022, até um candidato próprio ao Palácio do Planalto.

O Brasil 200, que nas próximas semanas vai virar um instituto, é encabeçado por empresários oriundos de grupos do varejo, como Havan, Polishop, Bio Ritmo, Centauro e Gocil Segurança. No total, as empresas associadas geram, segundo os organizadores, 300 mil empregos diretos e, juntas, têm faturamento estimado em R$ 40 bilhões.

“Queremos ser um think tank (centro de estudos) de produção de política pública, com o diferencial de ter um braço político forte, ter uma atuação ativa em Brasília para que as nossas pautas avancem”, afirmou Gabriel Kanner, que trocou a função no grupo Riachuelo, que é de sua família, para presidir o Instituto Brasil 200.

Os empresários do Brasil 200, com algumas exceções, sempre tiveram dificuldades de ter um papel de maior relevância em grandes entidades do setor privado. Representantes de organizações como as federações das indústrias de São Paulo e do Rio (Firjan e Fiesp) e a CNI (Confederação Nacional da Indústria), até então vistas como os canais oficiais entre o setor privado e o público, não escondem o estranhamento em relação ao movimento. Para dirigentes ouvidos pela reportagem, uma atuação política mais agressiva e escancarada desagrada a grande parte do empresariado, acostumado, até hoje, a uma articulação de bastidor.

O movimento foi criado para pensar como o Brasil estará em 2022, quando se completam 200 anos da independência.

Guedes no lançamento

Marco Aurélio Nogueira, professor de ciência política da Unesp (Universidade Estadual de São Paulo), diz, no entanto, ser natural o aparecimento de grupos empresariais como o Brasil 200 e de outras forças da sociedade a partir do que ele chama de falência dos partidos políticos tradicionais.

Ele lembra que esse fenômeno já vinha sendo sentido. Uma prova disso foi a criação, em 2018, do Renova BR, grupo de formação de líderes políticos criado pelo empresário Eduardo Mufarrej. Outra é a criação do Partido Novo pelo executivo do ramo financeiro, João Amoêdo, que candidatou-se à eleição presidencial e foi o quinto mais votado. Nogueira acredita que isso pode levar a uma maior participação de empresários diretamente na política, disputando cargos eletivos. Em sua opinião, esse fenômeno é global e levou ao poder figuras como Donald Trump, nos EUA, e Silvio Berlusconi, na Itália.

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