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O acusado do assassinato de Marielle também é suspeito de ser um dos maiores traficantes de armas do Estado do Rio

Segundo a polícia, a apreensão de 117 fuzis foi a maior já registrada no Rio. (Foto: Divulgação)

Apontado pela DH (Delegacia de Homicídios) do Rio de Janeiro como sendo o autor dos disparos que mataram a vereadora Marielle Franco, do PSOL, o sargento  PM reformado Ronnie Lessa também é investigado pela Polícia Civil por suspeita de ser um dos maiores traficantes de armas do Estado do Rio.

A Desarme (Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos) trabalha com a hipótese de que que os 117 fuzis encontrados, na última terça-feira (12), na casa de Alexandre Motta da Silva, amigo de Lessa há mais de 20 anos, seriam vendidos para diferentes compradores. Segundo a polícia, a apreensão dos 117 fuzis foi a maior já registrada no Rio.

As armas estavam incompletas e não tinham cano de direcionamento de tiro, parte do carregador e  o mecanismo de disparo. O delegado Marcus Amim, da Desarme, que investiga Lessa e Alexandre por crimes de tráfico de armas e lavagem de dinheiro, vai solicitar à Justiça autorização para que os dois sejam levados até a especializada, localizada na Cidade da Polícia no Jacaré, para prestar depoimento sobre o caso.

Ainda não há data marcada para o interrogatório ser realizado, mas a estimativa é que isso ocorra já nas próximas semanas. “Pela quantidade do material apreendido, por se tratar de um mesmo modelo de fuzil (M-16), não teria como ser vendido apenas para uma única organização criminosa. Trabalhamos com a hipótese de que haveria mais de um comprador. Os fuzis apreendidos, que estão sem o cano, tem valor estimado em torno de R$ 3,5 milhões. Se estivessem completos valeriam algo em torno de R$ 4 milhões. Isso tudo é muito dinheiro para um só comprador”, disse o delegado.

Ouvido na DH, Lessa admitiu, na quarta-feira (13), ao prestar depoimento, que era o dono dos fuzis e inocentou o amigo. Ao ser preso, Alexandre havia alegado que apenas guardou caixas em sua casa, trazidas por Lessa, em dezembro, e que não sabia que elas continham armas em seu interior. Para Marcus Amim, Ronnie Lessa pode estar tentando proteger o amigo.

“Ele (Lessa) assumiu que as armas eram dele e que o Alexandre não tinha nada com aquilo. Mas, nós não acreditamos nisso. Uma mesa de montagem de fuzil foi apreendida em um imóvel próximo ao do Alexandre. Nós estamos investigando os dois por tráfico de armas e lavagem de dinheiro”, disse o delegado.

Fernando Santana, advogado responsável pela defesa de Ronnie Lessa, alegou na quinta-feira (14), que os 117 fuzis incompletos encontrados na casa de Alexandre são armas de airsoft.

Ele também adiantou ter pedido à Justiça que seu cliente fique preso em uma unidade prisional da PM, em Niterói e que aguarda uma resposta para sua solicitação.

A Justiça determinou que Ronnie Lessa e o ex-PM Élcio de Queiroz, preso também na terça sob suspeita de ter dirigido o carro usado na execução de Marielle, sejam transferidos para um presídio federal, localizado fora do Rio de janeiro.

O delegado Marcus Amim adiantou que acompanhou o trabalho dos peritos, no dia da prisão do sargento, e que um resultado preliminar aponta que as armas não são de brinquedo. E que, uma vez completas, teriam alto  poder de fogo.

Amim também esclareceu que vai pedir à Justiça para usar provas emprestadas do inquérito que apura a morte de Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. No relatório da respectiva  investigação , agentes da DH e promotores do MP (Ministério Público) dizem ter coletado indícios de que o sargento seria traficante de armas.

Entre os indícios estão e-mails enviados pelo PM, que  revelam que ele comprava peças de armas de vários países, e fornecia como endereço para entrega a casa onde morava e foi preso, na última terça-feira,  o condomínio Vivendas da Barra, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.

Em outras oportunidades, segundo a investigação, Lessa passava um endereço nos Estados Unidos, que usava quando viajava para o país.

O relatório menciona um e-mail, enviado por Lessa no dia 8 de janeiro de 2018, quando ele fez buscas em site de venda on-line para a compra de uma caixa impermeável para enterrar armas de até 14 centímetros. De acordo com o MP, o material foi realmente adquirido e entregue no condomínio onde o PM morava.

Segundo Vinicius Cavalcante, especialista em armas e diretor da Associação Brasileira de Profissionais de Segurança, caixas para guardar armas são facilmente encontradas para venda em sites, principalmente nos Estados Unidos.

“É uma caixa plástica. Tem de vários modelos, pode ser redonda ou quadrada, por exemplo. É uma caixa hermética, que fechada, não passa umidade e pode ser utilizada para guardar armas. Os americanos fazem muito isso e chamam de tubo patriota. Dependendo do modelo, cada caixa pode guardar até seis fuzis”, disse o especialista

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