Últimas Notícias > Notícias > Brasil > As propostas de reforma tributária que tramitam na Câmara e no Senado colocaram em campos opostos a indústria e os demais setores

A Argentina criticou o acordo entre o Brasil e os Estados Unidos para o trigo

Jair Bolsonaro e Donald Trump durante encontro nos Estados Unidos, em março. (Foto: Alan Santos/PR)

O governo argentino demonstrou, nesta quarta-feira (20), sua preocupação com o acordo entre Brasil e Estados Unidos para a importação de trigo americano livre de taxas –uma violação da tarifa externa comum do Mercosul que prejudica as exportações argentinas.

“A cada vez que o Brasil insinuou a possibilidade de comprar trigo fora do Mercosul, a Argentina se opôs”, disse nesta quarta-feira o secretário de Governo da Agroindústria, Luis Etchevehere, à imprensa local. “Diante do fato consumado, vamos avaliar as ferramentas previstas que o Mercosul possui para analisar o caminho que devemos seguir”, acrescentou.

O presidente Jair Bolsonaro acordou na terça-feira (19) com seu equivalente americano, Donald Trump, a importação anual de 750 mil toneladas de trigo americano com tarifa zero, durante uma cúpula em Washington. O acordo implica em isentar o trigo americano da tarifa de 10% que vale para as compras fora do mercado comum.

Segundo os estatutos do Mercosul, o acordo entre Brasil e Estados Unidos deve ser levado para avaliação dos sócios de mercado comum: Argentina, Uruguai e Paraguai.

A Argentina é o principal fornecedor de trigo para o Brasil, com cerca de 6 milhões de toneladas ao ano, o que representa US$ 1,4 bilhão em exportações. Segundo estimativas da Associação Argentina do Trigo, o acordo representa um prejuízo de cerca de US$ 300 milhões.

Preocupação entre produtores

Em geral, quando a oferta no Brasil e no Mercosul não é suficiente para atender a demanda dos brasileiros, o governo autoriza uma cota temporária isenta de tarifa, com o objetivo de ajudar a indústria e evitar pressões inflacionárias.

Mas, pelo acordo firmado entre os presidentes Donald Trump e Jair Bolsonaro, a isenção de tarifa para 750 mil toneladas seria permanente, entrando como parte das negociações agrícolas entre Brasil e Estados Unidos acontecidas em Washington esta semana.

A isenção tarifária para uma cota permanente, aliás, faz parte de um acordo na rodada Uruguai de negociações na OMC (Organização Mundial do Comércio), mas nunca implementado pelo Brasil.

Dos 1,2 milhão de toneladas de trigo importado pelo Brasil em janeiro e fevereiro deste ano, a Argentina forneceu quase tudo, ou 1,1 milhão de toneladas, segundo dados do governo publicados no site da Abitrigo (Associação Brasileira das Indústrias do Trigo), que representa os moinhos.

Dos EUA, pagando tarifa, brasileiros importaram apenas 10 mil toneladas no mesmo período. No ano passado, das 6,8 milhões de toneladas que o Brasil importou, um volume de 5,9 milhões de toneladas de trigo veio da Argentina e 330 mil do Paraguai, com os EUA vendendo 270 mil toneladas – os demais países forneceram volumes menores.

O acordo entre EUA e Brasil também estabelece condições técnicas para permitir a importação de carne de porco dos EUA pelos brasileiros, gerando por ora menos protestos do que entre os agricultores.

“O setor de suínos do Brasil se manifestou em concordância com a abertura, ao mesmo tempo em que espera reciprocidade de tratamento com a autorização de todos os Estados brasileiros para exportar carne suína para os EUA”, disse a Associação Brasileira de Proteína Animal em nota.

Em contrapartida, os EUA também concordaram em enviar inspetores ao Brasil para uma “visita técnica” de auditoria ao sistema brasileiro de inspeção de carne bovina in natura, para que o produto brasileiro possa voltar a ser exportado aos norte-americanos.

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