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A atriz Cate Blanchett disse em Cannes que “ser bonita não significa falta de inteligência”

Cate Blanchett, presidente do júri do 71º Festival de Cannes, durante uma coletiva de imprensa. (Foto: Reprodução)

Presidente do júri deste ano do Festival de Cannes, a atriz Cate Blanchett lidou de forma elegante com as muitas questões sobre igualdade de gênero feitas durante uma coletiva de imprensa. Sobre o tapete ser uma espécie de “vitrine” para as mulheres, Cate defendeu: “Ser bonita não é sinônimo de falta de inteligência. Cannes é um festival glamouroso, que deve ser apreciado em todos os seus aspectos”. A resposta foi abraçada pelas outras mulheres do júri, Ava DuVernay, Khadja Nin, Léa Seydoux e Kristen Stewart.

O evento, que começou nesta terça-feira (8), e vai até o dia 19, foi alvo de críticas por selecionar apenas três mulheres entre os 21 cineastas que competem pela Palma de Ouro. No passado, regra que continua valendo, o festival já foi criticado por proibir a passagem de mulheres sem salto alto pelo tapete vermelho, um dos mais cobiçados do mundo.

Ao fato de mulheres serem minoria entre os competidores, a atriz também respondeu com sabedoria. “Esse número já foi menor em outras edições. As mudanças não acontecem do dia para a noite. Se quero ver mais mulheres competindo pela Palma de Ouro? Sim, claro. Mas hoje vamos trabalhar com o que temos e continuar pensando em mudanças para o futuro.”

Para finalizar, ela ressaltou, mais de uma vez, que a escolha do vencedor não será feita a partir de agendas políticas. “Este não é um festival político. Vamos assistir aos filmes sem pensar em nome de diretores, nacionalidade, questão de gênero. Queremos eleger um filme que seja atemporal e universal, e que ao mesmo tempo reflita o nosso hoje.”

Assédio

Recentemente, em entrevista publicada pela revista Variety, a atriz também falou sobre movimentos de igualdade entre gêneros e ainda revelou ter sido assediada por Harvey Weinstein. Quando questionada se foi assediada por Weinstein, ela disse: “Sim. Eu acho que ele primeiro focou, como a maioria dos assediadores, nas mais vulneráveis. Eu quero dizer que tive uma sensação ruim com ele… ele dizia para mim com frequência: ‘Nós não somos amigos’, porque, bem, eu não fazia o que ele me pedia para fazer”.

O entrevistador então perguntou o que exatamente ele lhe pedia para fazer, mas Cate não quis especificar. “Há camadas e camadas de assédio sexual. Eu fui importunada, claro. Eu não sei se há muitas pessoas que não foram”, falou.

“Eu estou realmente interessada nas pessoas que transgridem de maneiras além dos limites da ofensiva, no que as pessoas como Harvey fizeram, e que há homens em muitas áreas que fizeram isso. Ele foi eleito como um exemplo porque ele é, infelizmente, um certo tipo comum de homem. Eu estou interessada nessas pessoas sendo processadas. Nós temos de estabelecer um precedente legal”, disse Cate.

Cate disse ainda que espera que Weinstein seja preso. “Bem, eu espero que ele vá. Estupro é crime, da última vez que eu vi. Acho que é muito importante que as pessoas sejam julgadas pelo sistema judicial. É um braço realmente importante da democracia que devemos defender porque está sob ameaça de muitos interesses diferentes”, falou.

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