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A atriz Ruth de Souza morreu aos 98 anos. Ela foi a primeira negra a atuar no Theatro Municipal do Rio de Janeiro

Ruth de Souza faleceu em decorrência de complicações de um quadro de pneumonia. (Foto: Reprodução de TV)

A atriz Ruth de Souza morreu neste domingo (28) aos 98 anos. Ela estava internada no Centro de Tratamento Intensivo do Hospital Copa D’Or, em Copacabana, no Rio de Janeiro, e faleceu em decorrência de complicações de um quadro de pneumonia.

Ela foi a primeira atriz negra a encenar no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, em 1945, no espetáculo “O Imperador Jones” (“The Imperator Jones”), do dramaturgo americano Eugene O’Neill (1888-1953). Com atuações no teatro e cinema, ela foi contratada da TV Globo por mais de 50 anos, onde atuou em mais de 30 novelas, tais como “O Bem-Amado” (1973), “Helena” (1975), “Sinhá Moça” – primeira e segunda versões (1986 e 2006) – e “Memorial de Maria Moura” (1994).

Neste ano, ela foi homenageada pela escola de samba Santa Cruz, no desfile da Série A do Carnaval do Rio. O último trabalho dela na TV Globo foi na minissérie “Se Eu Fechar os Olhos Agora”, também em 2019. “Riam de mim quando eu dizia que queria ser atriz.” Estas foram as palavras usadas por Ruth de Souza na série “Damas da TV”, exibida pelo canal pago Globonews, em 2014.

No programa, a atriz, com cerca de uma centena de atuações no teatro, televisão e cinema, contou que no primeiro ano de escola foi às lagrimas ao ver em seu livro escolar um capítulo sugerindo que o formato da cabeça do negro fazia com que ele fosse intelectualmente inferior aos demais seres humanos.

Trajetória 

Primogênita de dois irmãos, Ruth Pinto de Souza nasceu no Engenho de Dentro, zona norte carioca, em 12 de maio de 1921. Mudou-se ainda pequena com a família para um sítio no município de Porto Marinho, interior do Estado de Minas, onde seus pais dependiam da roça para a sobrevivência da família.

Aos nove anos, com a morte do pai, retorna com a mãe e os irmãos para o Rio, onde passam a viver em uma vila de lavadeiras e jardineiros, em Copacabana. A paixão pelo cinema surgiu na infância, depois de assistir ao filme “Tarzan, o Filho da Selva” (1932). Desde então trabalhar no cinema passou a ser o seu maior propósito de vida.

Anos mais tarde, na juventude, folheando a Revista Rio – do jornalista Roberto Marinho –, a atriz leu uma reportagem sobre um grupo de jovens atores negros que se reunia no Teatro do Estudante do Brasil, no Rio. Era o embrião do TEN (Teatro Experimental do Negro), fundado em 1944 pelo ator, professor, político e ativista negro Abdias do Nascimento e fundamental para a valorização do artista negro no País.

Na noite de 8 de maio de 1945, como integrante do TEN, Ruth de Souza entrou para a história ao ser a primeira atriz negra a encenar no palco do tão prestigiado e elitista Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com o espetáculo “O Imperador Jones” (“The Imperator Jones”), do dramaturgo americano Eugene O’Neill (1888-1953).

Em 1947, ainda fazendo parte do grupo teatral de Abdias, a atriz participa da montagem “O Filho Pródigo”, de Lúcio Cardoso (1912-1968), quando recebe o prêmio de atriz revelação do ano. A estreia no cinema aconteceu em 1948, por indicação de Jorge Amado (1912-2001), quando a atriz fora escalada junto com os já consagrados Grande Otelo (1915-1993) e Anselmo Duarte (1920-2009) para o elenco de “Terra Violenta”, uma adaptação da obra do escritor baiano produzida pela Atlântida Cinematográfica.

Em Cleveland, no Estado de Ohio, além de atuar em peças, trabalhou como contra regra, assistente de direção e diretora de palco. Em sua passagem por Nova York, fez estágio na Academia Nacional de Cinema Americano e, depois, na Universidade Harvard, em Cambridge.

Mais de 20 novelas

Na televisão, foi uma das pioneiras. Passou pela TV Tupi, pela Record, TV Excelsior e, em 1968, Ruth de Souza foi contratada pela Globo para atuar na novela “Passo dos ventos”, onde interpretou a mãe de santo Tuiá, uma mulher sábia cujos antepassados eram escravos, no Haiti.

Seu último trabalho foi na minissérie “Se Eu Fechar os Olhos Agora”, que foi ao ar este ano, na TV Globo. Na história recriada por Ricardo Linhares a partir do romance original de Edney Silvestre, ela viveu Madalena.

Como uma das pioneiras da TV brasileira, a atriz participou de programas de variedades e musicais no início das transmissões da TV Tupi, até adaptar para a televisão, com Haroldo Costa, a peça “O Filho Pródigo”, que havia encenado no Teatro Experimental do Negro. A primeira novela foi “A Deusa Vencida” (1965), de Ivani Ribeiro, na TV Excelsior.

Na TV Globo, a atriz atuou em mais de 20 novelas. Entre elas: “A Cabana do Pai Tomás”, “Pigmalião 70”, “Os ossos do barão”, “O Rebu”, “Duas vidas” e “O Clone”. Em “Sinhá Moça” Ruth fez uma dupla inesquecível com Grande Otelo. Também atuou em seriados como “Na Forma da Lei”.

 

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