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A atriz Vera Fischer disse que inventou doenças para evitar assédio e contou ter feito aborto “várias vezes”: “Tem que ter filho só quando quer e pode”

"Quantas mulheres têm milhões de filhos que não têm como sustentar? O pior de tudo é saber quantas mulheres morreram por causa desses abortos clandestinos malfeitos", diz Vera. (Foto: Divulgação)

Vera Fischer teve uma gastrite nervosa na primeira vez em que pisou em um palco de teatro.

A atriz, que tinha 31 anos na época, conta que ficava tão tensa para decorar os textos que o diretor não conseguia que ela fosse até o centro do tablado para fazer suas cenas. A peça ficou apenas dois meses em cartaz e Vera diz que foi “um fracasso retumbante”.

“Eu era uma atriz de novela, tinha acabado de fazer a Luiza em ‘Brilhante’ [em 1981, na TV Globo]. Aí fui fazer uma peça muito louca, ‘Os Desinibidos’. No final, eu dizia assim: ‘Porque aí os passarinhos vão para lá e vocês vão pra puta que o pariu’. O público levantava e gritava: ‘Pra puta que o pariu vão vocês!’”, conta a atriz.

Com o problema estomacal, ela conta que sentia dores latejantes e emagreceu muito. “Isso podia ter me destruído. Mas tive muita coragem. Uma colega me falou: ‘Quem mandou você fazer teatro? Devia ter ficado na televisão, que você já sabia, que era mais confortável’.”

Vera chegou a pensar em nunca mais subir em um palco. Mas o ator Perry Salles, com quem ela foi casada por 16 anos, logo propôs outro projeto. “A gente fez ‘Negócio de Estado’, que ficou três anos em cartaz. Foi aí que eu deixei de ser só uma loira de olhos claros que fazia televisão.”

Eleita Miss Brasil em 1969, sua carreira sempre foi associada à beleza. “Sofri muito preconceito por ser loira de olhos claros. Me chamavam de burra, de prostituta, diziam que eu não era atriz, que era canastrona. Sofri muito teste do sofá, sofri por ser miss.”

“Isso tudo eu tive que engolir”, conclui. Ela lembra que precisava do trabalho e não queria ser demitida, mas teve que encontrar uma saída para não se tornar vítima de assédio.

“Eu inventava histórias. Inventava até nome de doença. Dizia que estava naqueles dias. Os homens nem chegavam perto de mim”, diz, gargalhando.

Ser mulher e fazer sucesso não era tarefa fácil, diz. “Sou a provedora. Nunca tive marido rico, nem herança. Até hoje eu vivo do meu trabalho. Sou o homem e a mulher da casa. Mantenho meus filhos porque eles estão começando a vida. A Rafaella [do casamento com Perry Salles] tem mais idade [38], mas ela é muito criançona. E Gabriel [do casamento com Felipe Camargo] tem 25 anos. Eles estão correndo atrás, mas se não fosse eu, não teriam ninguém.”

“Tinha 17 anos quando ganhei o concurso de miss e eles pagavam pra desfilar, né? Foi meu primeiro emprego. Aí eu falei: ‘Pronto, saí de casa! Vou começar a trabalhar’. Nunca mais pedi dinheiro pro meu pai.” Vera conta que chegou a sustentar até os seus dois ex-maridos.

Ela tem um conselho para as mulheres mais jovens: “Vocês batalham tanto para casar com homens ricos, mas nunca vão perceber que o dinheiro é deles e que continua sendo deles. Vão te dar migalhas. A vida continua e você tem que ganhar o seu dinheiro.”

Vera costuma dizer que o simples fato de “existir” é sua atitude feminista. E comemora: “Tô feliz que na Argentina conseguiram finalmente legalizar o aborto. Quantas mulheres têm milhões de filhos que não têm como sustentar? O pior de tudo é saber quantas mulheres morreram por causa desses abortos clandestinos malfeitos.”

“Já fiz [abortos] várias vezes. Tem que ter filho só quando quer, quando pode e tem condições. Porque criança tem que comer, botar para dormir, tem que ter roupa e escola. Inclusive na última vez que aconteceu, eu já tava com bastante idade. A camisinha arrebentou e eu não tava tomando pílula. Fiquei tão puta, mas tão puta!.”

A atriz afirma que não é de empunhar bandeiras ideológicas. “A única vez que participei de uma manifestação pública foi nas Diretas-Já. Subi em um palanque, vestindo uma camiseta. Eu acreditava no Brizola. Depois disso, meu bem… nunca mais.”

Decepcionada com a política, ela não vota e prefere viajar durante as eleições. “Eu não tenho candidato. Não adianta votar no menos pior, porque o menos pior já é pior.”

 

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