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A ausência da Petrobras em lances do leilão do pré-sal irritou o governo Bolsonaro

Integrantes do governo disseram que a Petrobras age como ente privado “quando lhe convém”. (Foto: Geraldo Falcão/Agência Petrobras)

A decisão da Petrobras de não fazer ofertas para duas áreas de exploração nos leilões da última quinta-feira (7) desagradou o governo Bolsonaro. A estatal havia informado interesse nos locais, o que levou Jair Bolsonaro a baixar decreto dando preferência à estatal.

As informações são da Folha de S.Paulo.

Integrantes do governo disseram que a Petrobras age como ente privado “quando lhe convém”, como quando defende preços de mercado para a gasolina, mas não recusa benesses de estatal – a preferência nos leilões. Na quinta, a empresa foi acusada de “não honrar o compromisso com o País”.

A Petrobras não avisou que não iria fazer ofertas, uma descortesia inédita. O ministro Bento Albuquerque (Minas e Energia) e o presidente da ANP (Agência Nacional do Petróleo), Décio Oddone, chegaram a anunciar a participação da empresa nas três áreas.

Operadores do setor de petróleo dizem que as críticas do ministro da Economia, Paulo Guedes, ao regime de partilha, no qual o investidor é sócio do governo na exploração, são inócuas. O questionamento só chegou agora, quando quase todos os campos já foram entregues à exploração.

Bolsonaro sabia

Para evitar a ausência de interessados estrangeiros no megaleilão do pré-sal desta semana, o presidente Jair Bolsonaro pediu ao dirigente da China, Xi Jinping, que as petroleiras chinesas participassem do certame.

A conversa ocorreu durante visita oficial de Bolsonaro ao País, no fim de outubro. Naquele momento, o governo já sabia que o modelo previsto para a venda dos quatro campos do pré-sal não atrairia concorrentes.

Pelas regras, quem vencesse a disputa teria de desembolsar à vista uma quantia bilionária. Somente no campo de Búzios, o maior deles, o desembolso será de quase R$ 70 bilhões.

Segundo pessoas que acompanharam as conversas presidenciais, depois do aceno positivo de Xi, um executivo da Petrobras foi à China para fechar a parceria da estatal com as petroleiras CNOOC e CNODC, ambas controladas pelo governo chinês.

No acordo com os chineses, segundo pessoas que acompanharam as negociações, a Petrobras receberia dos dois sócios dinheiro antecipado pela venda futura de óleo.

Essa operação seria vantajosa por travar o preço do petróleo que será vendido futuramente pela cotação atual.

O arranjo garantiu dinheiro rápido para a Petrobras, que terá de retirar de seu caixa neste ano R$ 29 bilhões para pagar pelos direitos de exploração dos dois blocos (Búzios e Itapu). Em Itapu, a estatal fará a exploração sozinha.

Por meio de sua assessoria, a Petrobras disse que não pode comentar detalhes de um contrato privado. A assessoria de imprensa do Planalto não respondeu até a conclusão deste texto.

Nas discussões com o TCU (Tribunal de Contas da União), os técnicos chegaram a fazer alertas de que a exigência de um bônus elevado não estimularia a competição.