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A batalha pelo 5G se tornou a Guerra Fria da tecnologia

Após viver na China, executivo americano comparou a sua volta aos EUA a retornar à Idade da Pedra. (Foto: Reprodução)

Como vêm publicando quase diariamente Wall Street Journal e Financial Times, a China está deixando os EUA para trás na “batalha por supremacia digital”, na manchete de um ano atrás da Economist. E a batalha pelo 5G virou a Guerra Fria da tecnologia.

No fim de semana, em mais uma extensa reportagem, o WSJ destacou a declaração de um executivo americano após dez anos na China: “Quando voltei aos EUA, foi como voltar à Idade da Pedra”.

E na terça o jornal publicou o texto explicativo “Por que ser o primeiro em 5G importa”. Em suma: “Se os Estados Unidos não tivessem liderado o 4G, o país não dominaria a tecnologia móvel e as suas plataformas, como Instagram e até Facebook e Netflix, não teriam se tornado potências globais”.

Segundo o WSJ, a China deverá atingir cobertura nacional de 5G no ano que vem, com a Huawei. E os EUA, com AT&T e Verizon, só começam a lançar 5G, cidade por cidade, no final deste ano.

A imprensa chinesa, de sua parte, passou a reagir após a prisão da diretora financeira e filha do fundador da Huawei no Canadá, a pedido dos EUA, dois meses atrás. E agora está em plena campanha.

Na manchete do tabloide Huanqiu/Global Times, também na terça, “Pequim se prepara para Guerra Fria da alta tecnologia”, depois que os EUA anunciaram prioridade e mais recursos na segunda.

Em editorial, o jornal chinês atacou as pressões americanas sobre os europeus aliados, contra o uso de equipamento da Huawei, comparando a submissão da Otan ao Pacto de Varsóvia.

5G no mercado nacional

A quinta geração de conectividade móvel (5G, com potencial de velocidade de 1.000 mbps) não deve chegar tão cedo ao Brasil. Além das dificuldades financeiras, há fatores técnicos e regulatórios no caminho. A projeção mais realista é a de que o Brasil tenha conexões 5G no mercado em 2021.

Para a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), é importante manter o protagonismo regional conquistado nas transições anteriores. O Brasil teve 4G antes da Argentina e do México.

O principal motivo do entusiasmo com o 5G é o fato de que a tecnologia promete velocidades até dez vezes maiores e latências bem menores. A velocidade é o que permite assistir a vídeos ao vivo com qualidade e sem interrupções. A latência é o que faz um aplicativo de GPS avisar que precisava entrar à direita só depois de ultrapassar a esquina.

Com isso, aumentam as possibilidades de utilizar um volume maior de dados transmitidos por muito mais aparelhos: smartphones, carros, postes, marcapassos, freezers, semáforos, leitos inteligentes.

Pelas características do serviço, inicialmente o 5G deve estar disponível apenas em grandes centros urbanos, como já ocorre nos Estados Unidos. “No início do 5G ainda devemos ter acessos 2G, 3G, 4G e 5G”, diz Agostinho Linhares, gerente de espectro, órbita e radiodifusão da Anatel.

Hoje, 1.261 municípios ainda não têm acessos 4G (metade em Minas Gerais, Piauí, Goiás, Paraíba e Maranhão), e 137 deles só têm conexão 2G (três quartos no Rio Grande do Sul, Piauí e Goiás), única presente em todas as cidades brasileiras. É ela que está por trás das máquinas de cartão de pagamento.

De acordo com a Anatel, em novembro de 2018 o volume total de linhas de celular 2G era de 24,9 milhões (11,8%); 3G, 56,6 milhões (26,9%); e 4G, 128,8 milhões (61,2%).

O investimento necessário para o 5G será alto: além de comprar o direito de usar as frequências, as operadoras teriam de investir em um número grande de estações rádio base. Além disso, quase todos os equipamentos são comprados em dólar.

“A implantação do 3G ainda tem muito a se pagar, e também falta investir no 4G”, diz André Sarcinelli, diretor de engenharia do Grupo Claro. Nos últimos anos, com o uso de aplicativos como o WhatsApp, muitos consumidores abandonaram o costume de ter chips de mais de uma operadora, reduzindo a receita das empresas e o volume total de conexões no País.

Quanto as empresas estarão dispostas a investir no 5G e quais serviços serão oferecidos vai depender das condições do leilão das frequências de 3,5 GHz, mais apropriadas para a performance esperada do 5G. Esse leilão deve ocorrer entre o final de 2019 e o início de 2020.

O problema é que essa faixa de frequências está ocupada, mesmo sem regulamentação pela Anatel. Ela é usada para transmissão de TV aberta via antena parabólica. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), um em cada três domicílios brasileiros assiste à TV assim.

De um lado, as emissoras de TV se preocupam com a possibilidade de interferência pela nova tecnologia móvel. De outro, as operadoras de telefonia apontam que essa TV por satélite ocupa uma faixa muito grande das ondas, deixando apenas 200 MHz para a conectividade móvel, a serem divididos pelas operadoras credenciadas —o que fraciona a abrangência e a capacidade.

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