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A Bolsa, o dólar, o risco-país e os juros, quatro dos principais termômetros do mercado financeiro, mudaram de direção na semana que passou

O dólar avançou mais de 2% apenas na sexta-feira e rompeu os R$ 3,90 pela primeira vez neste governo. (Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

A Bolsa, o dólar, o risco-país e os juros, quatro dos principais termômetros do mercado financeiro, mudaram de direção na semana passada. Reflexo da dúvida de investidores com a aprovação da reforma da Previdência diante da desarticulação no Congresso, voltaram para os patamares do começo do governo Jair Bolsonaro.

Na sexta-feira (22), o dólar avançou mais de 2% e ultrapassou a barreira dos R$ 3,90. Depois de ter superado os 100 mil pontos, a Bolsa, com retração de 3,09%, encerrou a semana em 93.735 pontos. No campo político, a impaciência do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEMRJ), com o clã Bolsonaro agrava o cenário pessimista.

Bolsonaro comparou Maia a uma namorada e disse que tentará um acerto por meio do diálogo. “Quando ela quis ir embora, o que você fez para ela voltar? Não conversou? Estou à disposição.” Maia rebateu: “Não preciso voltar a namorar. Preciso que o presidente assuma de forma definitiva seu papel institucional”.

O dólar avançou mais de 2% apenas na sexta-feira (22) e rompeu os R$ 3,90 pela primeira vez neste governo. A alta percentual foi a maior desde o Joesley Day, como ficou conhecido o dia seguinte à divulgação dos áudios comprometedores entre Joesley Batista e o ex-presidente Michel Temer, em maio de 2017. O episódio sepultou a reforma da Previdência do governo Temer.

O tombo desta semana não foi por falta de alerta dos especialistas. Eles dizem desde o período eleitoral que a primeira dúvida sobre o comprometimento do governo Bolsonaro com a reforma da Previdência poderia colocar fim à euforia trazida pela nova gestão.

“A piora dos preços dos ativos reflete o aumento das dúvidas, entre investidores, sobre o encaminhamento da reforma da Previdência no Congresso, em um ambiente externo que também se torna mais complexo. Sem reforma da Previdência, fica difícil cumprir o teto de despesas e, com isso, controlar o crescimento da dívida pública”, disse em nota o economista Mário Mesquita.

Em 93 mil pontos, nível de fechamento nesta sexta-feira, a Bolsa volta ao patamar da primeira semana após a posse de Bolsonaro. À época, o índice Ibovespa batia sucessivos recordes. Depois de ter encostado nos 100 mil pontos no começo desta semana, o novo patamar de fechamento é o retrato da decepção de investidores.

O Ibovespa encerrou a sexta-feira a 93.735 pontos, queda de 3,09%. O giro financeiro superou R$ 20 bilhões, acima da média de R$ 16 bilhões do ano e sinal claro de uma liquidação de ativos por parte de investidores. No ano, a alta acumulada é de 6,7%. “A gente foi do céu ao inferno em uma semana”, resumiu o economista Álvaro Bandeira.

As perdas foram disseminadas por todos os papéis que compõem o índice. Petrobras e Banco do Brasil, estatais que se beneficiavam com a troca de governo, perderam mais de 5% nesta sexta. O risco-país medido pelo CDS (Credit Default Swap) subiu quase 9%, a 177,9 pontos. Os juros futuros também avançaram. São medidas que apontam a desconfiança de investidores com o equilíbrio das contas do governo, mas também a piora no cenário externo.

A reforma da Previdência é considerada essencial por investidores para que a dívida pública pare de crescer. Se ela aumenta, investidores exigem remuneração maior para emprestar dinheiro ao governo.

 

 

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