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Caixa vai fazer mutirão para renegociar dívidas de 3 milhões de clientes; descontos podem chegar a 90%

O Banco Central ainda deve aprovar o pagamento dos R$ 17 bilhões até o final do ano. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Cerca de 3 milhões de clientes em atraso com a Caixa Econômica Federal poderão renegociar as dívidas com desconto de até 90% no valor total, anunciou, nesta terça-feira (21), o presidente do banco, Pedro Guimarães. Segundo ele, o programa ajudará a estimular a economia. As informações são da Agência Brasil e do jornal O Estado de S. Paulo.

Com os descontos, a maioria das dívidas chegará a R$ 2 mil. Essa pessoa que está pagando 10% de juros ao mês poderá pagar juros de 2%”, disse Guimarães, ao chegar para uma reunião no Ministério da Economia. “Vamos dar descontos de 40% a 90% nessas dívidas”, disse.

Ele não deu data para o lançamento do programa. Apenas disse que a renegociação se concentrará em clientes com renda de até cinco salários mínimos. O presidente da Caixa destacou que o programa deverá recuperar pelo menos R$ 1 bilhão de um estoque total de débitos, estimado em R$ 4 bilhões.

Prejuízo da Caixa

Para Guimarães, além de recuperar parte dos débitos, o programa tem a vantagem de diminuir o prejuízo da Caixa e permitir a retomada do crédito. “São 300 mil pequenas empresas e 2,6 milhões de pessoas [físicas] que poderão renegociar as dívidas. Todos estão negativados. Esses recursos já estão lançados como prejuízo, fora do balanço. Essas pessoas estão à margem, e poderemos voltar a oferecer crédito, como o consignado”, explicou.

Na semana passada, o ministro da Economia, Paulo Guedes, declarou que a Caixa não deveria dar lucro como iniciativa privada. Segundo o ministro, o banco deveria repassar os ganhos para outros objetivos, como reduzir juros.

Crédito imobiliário

O presidente da Caixa disse também que o banco irá abrir uma nova linha de crédito imobiliário que irá cobrar juros baseado no IPCA (taxa de inflação) mais uma taxa. Atualmente, as linhas de habitação do banco cobram juros com base na taxa referencial TR – atualmente zerada – mais uma taxa. Segundo ele, a nova linha terá R$ 10 bilhões podendo financiar até 46 mil imóveis.

Essa modificação tornará mais fácil securitizar essa carteira. O mercado compra uma linha de IPCA, mas não compra uma linha de TR”, explicou Guimarães.

De acordo com ele, essa nova linha terá funding com recursos da poupança e o banco fará um hedge em seu balanço para absorver eventuais flutuações do IPCA ao longo das operações que normalmente têm prazos de até 30 anos. “O potencial de 46 mil imóveis significa atender até 400 mil pessoas.”

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