Últimas Notícias > Notícias > Brasil > Senadores propuseram 78 emendas para tentar mudar o texto da reforma da Previdência antes da votação em 1º turno

A Câmara dos Deputados aprovou a reforma administrativa. Agora, a medida provisória vai ao Senado

As MPs são fonte constante de críticas de congressistas porque não há limite para o seu uso pelo presidente da República. (Foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados)

O plenário da Câmara dos Deputados terminou de aprovar nesta quinta-feira (23) a MP (medida provisória) do presidente Jair Bolsonaro (PSL) que reestrutura os ministérios. O texto agora vai ao Senado, onde tem que ser aprovado até 3 de junho. Caso contrário, o governo passa a ter a mesma configuração existente na gestão Michel Temer (MDB), com 29 pastas, em vez das atuais 22.

A finalização da votação só foi possível após novo acordo com o centrão (grupo informal com cerca de 200 deputados de partidos como PP, DEM, PR, PRB, MDB e Solidariedade), que já havia demonstrado força na aprovação do texto no dia anterior.

Parlamentares do bloco aceitaram abrir mão de uma emenda na MP que limitaria as atribuições de auditores da Receita Federal. No entanto, o acordo prevê incluir essa discussão por meio de um projeto de lei sobre o Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais).

A votação da medida provisória havia empacado na quarta-feira (22) no destaque que limitava o poder de auditores fiscais. Líderes de partidos como o PP concordaram em retirar o artigo dessa medida desde que a Câmara vote na terça-feira (28) a urgência de um projeto sobre o mesmo tema, do deputado Carlos Bezerra (MDB-MT).

Líderes partidários ligados ao governo, como Marcel Van Hattem (Novo-RS), endossaram o acordo, já que a impossibilidade de votar a MP nesta quinta aumentaria as chances de o texto caducar, voltando a Esplanada para 29 ministérios. O Centrão ironizou a articulação do governo e o fato de parlamentares do PSL terem passado a votação fazendo lives para redes sociais.

“Nós do centro trabalhamos como vice-líderes do governo para cumprir com a obrigação de votar a medida provisória, que sem a gente não teria os votos para estar onde está”, afirmou o líder do PP, Arthur Lira (AL). “Fizemos alguns acordos de procedimento no plenário que não foram cumpridos pelo deputado Filipe Barros [PSL-PR], que subiu à tribuna com inúmeros deputados fazendo selfie”, disse.

Na quarta-feira, a Casa aprovou, no âmbito da MP, a medida que retira da pasta da Justiça o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), órgão que faz relatórios sobre movimentações financeiras suspeitas e que o ministro considera estratégico no combate à corrupção. Pela versão que recebeu aval dos deputados, ele voltará a ser da alçada do Ministério da Economia.

Ministro da Justiça, Sergio Moro minimizou a derrota e afirmou que o governo Bolsonaro não trabalha com a possibilidade de veto à medida provisória. “Parece que, neste ponto, não seria viável [o veto presidencial] porque voltaria ao que era [antes da medida provisória]. Então, não me parece que seria possível”, disse o ministro no Recife.

Senado

Os representantes do governo no Congresso ainda não se entenderam sobre como conduzir a votação da MP no Senado, na terça-feira (28). Os líderes do PSL e do governo no Senado,  Major Olímpio (PSL-SP) e Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), respectivamente, querem brigar para devolver o Coaf ao Ministério da Justiça, como no texto original da MP.

“Nós vamos defender o Coaf com o ministro Moro. Esta é a posição que está no nosso relatório, mas isso depende da decisão do plenário do Senado”, disse Bezerra, que relatou a MP na comissão mista, ao ser questionado se valia a pena tentar mudar o texto que saiu da Câmara mesmo com o risco de a MP caducar.

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