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A Colômbia vai permitir que venezuelanos entrem no país com passaportes vencidos

Documento pode estar expirado há dois anos, segundo a agência de migração colombiana. (Foto: Reprodução)

A Colômbia vai permitir que cidadãos da Venezuela cruzem a fronteira com passaportes vencidos, comunicou a agência de migração colombiana. Os venezuelanos poderão usar documentos antigos por até dois anos após a data de expiração.

Renovar o passaporte na Venezuela é “quase impossível, em função do alto custo do documento, da falta de materiais para confeccioná-los e por causa de outras ações da Venezuela para conter a saída de venezuelanos”, disse Christian Kruger, chefe da agência de migração da Colômbia.

De acordo com informações da agência Reuters, mais de 1,2 milhão de venezuelanos que fugiram da escassez generalizada de alimentos e remédios e de uma complexa crise política no país migraram para a Colômbia nos últimos anos. Muitos chegam sem vistos porque não conseguem renovar seus passaportes.

O êxodo total de venezuelanos é estimado em 3,4 milhões de pessoas, de acordo com as Nações Unidas. O ano passado registrou o maior número de pedidos de asilo pelos cidadãos da ditadura de Nicolás Maduro: foram 250 mil solicitações, dois terços das quais em países latinos.

A medida é parte de acordos recentes feitos pelo bloco de nações do Grupo de Lima para dar segurança aos migrantes e impedir que eles recorram a gangues para atravessar a fronteira, disse o comunicado.

“Não há nada mais perigoso para um país do que não saber quem está dentro de suas fronteiras. Fechar a fronteira e exigir documentos oficiais de uma população que está fugindo de uma ditadura por causa da fome apenas incentiva irregularidades”, completou Kruger.

Imigrantes

A Organização dos Estados Americanos (OEA) prevê mais de 5 milhões de imigrantes da Venezuela em 2019, um fluxo migratório equiparado aos provocados por guerras como a da Síria e do Afeganistão, segundo relatório divulgado nesta semana.

O grupo de trabalho da OEA sobre migrantes e refugiados venezuelanos, criado em setembro por iniciativa do secretário-geral, Luis Almagro, apresentou um panorama sombrio em seu relatório preliminar.

“Sem nenhuma mudança significativa que possa reverter a crise econômica, política e social na Venezuela, o número total de imigrantes e refugiados poderá ficar em entre 5,39 e 5,75 milhões até o final de 2019”.

Se permanecer a atual tendência, o total de imigrantes e refugiados venezuelanos chegará a entre 7,5 e 8,2 milhões no final de 2020.

“Os venezuelanos são a segunda população com mais refugiados no mundo, superados apenas pelos sírios, que estão em guerra há sete anos”, disse Almagro.

Vinte anos após a chegada ao poder de Hugo Chávez, falecido em 2013, a Venezuela está mergulhada em uma crise econômica sem precedentes, e a presidência de Nicolás Maduro é questionada pelo líder opositor Juan Guaidó, autoproclamado presidente interino e reconhecido por mais de 50 países.

O grupo de trabalho da OEA, coordenado pelo político de oposição venezuelano David Smolansky, destacou que a “magnitude e a velocidade” do fluxo migratório a partir da Venezuela têm semelhanças com outras crises de migração, provocadas por guerras.

A crise de refugiados na Síria, iniciada em 2011, gerou 6,3 milhões de deslocados em 2017. A guerra no Afeganistão, que começou em 1978, provocou em onze anos 6,3 milhões de refugiados.

“A velocidade no crescimento do número total de imigrantes e refugiados venezuelanos é tão elevada como na crise síria em seus primeiros anos”, destaca o relatório. “Estamos vivendo as consequências de uma guerra sem ter guerra”, disse Carlos Vecchio, embaixador de Guaidó nos Estados Unidos, durante a apresentação do relatório.

Os imigrantes da Venezuela estão majoritariamente na Colômbia (1,2 milhão), Peru (700.000), Chile (265.800), Equador (250.000), Argentina (130.000) e Brasil (100.000).

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