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A crise econômica na Argentina atinge as empresas brasileiras

O FMI reiterou a sua confiança na recuperação da Argentina, país para o qual liberou uma linha de crédito de US$ 57 bilhões. (Foto: Reprodução)

A recuperação lenta e difícil da economia brasileira tem enfrentado um obstáculo a mais nos últimos meses. O aprofundamento da crise econômica da Argentina causou prejuízos.

A queda nos pedidos para a Argentina fez a Volkswagen reduzir a produção na fábrica de Taubaté, interior de São Paulo. Em São José dos Campos, uma empresa que produz tubos para o sistema de ar-condicionado de automóveis sente a crise argentina de duas maneiras. Como fornecedora para montadoras brasileiras, viu os pedidos caírem 15% desde agosto e, como exportadora de peças para montadoras na Argentina, tem dificuldade em competir com a concorrência local.

O economista Carlos de Oliveira diz que, em 2018, a Argentina deve deixar de comprar 200 mil automóveis brasileiros – uma queda de 11% em relação a 2017. Mas ele acredita que a indústria brasileira está mais preparada para enfrentar a situação por ter diversificado os parceiros.

O FMI (Fundo Monetário Internacional) já havia alertado que a crise argentina poderia provocar “um efeito de derrame para os países vizinhos”. Esse impacto negativo na região poderá ocorrer caso o orçamento de 2019, cujo objetivo é reduzir o déficit fiscal argentino a zero, não seja aprovado pelo Congresso, e se a atual recessão do país se agravar ainda mais.

Essas foram as palavras de Nigel Chalk, diretor responsável pelo hemisfério ocidental no FMI e supervisor da Argentina da entidade. Ele apresentou, nesta sexta-feira (12), em Bali, na Indonésia, um resumo da situação do país. Para evitar esse cenário, conforme Chalk, “talvez seja necessário repensar a política de ajustes”.

Na terça-feira (09), foi divulgado um novo cálculo de redução de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) da Argentina para 2018, de -2,6%, ante a previsão inicial do governo de que haveria aumento de 2% da economia neste ano.

O FMI reiterou a sua confiança na recuperação da Argentina, país para o qual liberou uma linha de crédito de US$ 57 bilhões, mas reconhece que há dificuldades por parte do governo de cumprir as metas, entre elas, além da redução do déficit fiscal, a diminuição da inflação.

O fundo calcula que, em 2018, a Argentina fechará com uma inflação de entre 40% e 45%, quando a meta do governo era de 15%. O informe do FMI chegou em um dia tenso em que o governo anunciou que os aumentos do gás serão maiores do que o antecipado, chegando a 35%.

Crise Venezuela

A crise econômica venezuelana fez com que mais da metade dos médicos, em sua maioria de hospitais públicos, deixasse o país entre 2012 e 2017, informou um relatório sobre o direito à saúde publicado na quinta-feira (11) por ONGs.

“Entre 2012 e 2017, 22 mil médicos venezuelanos emigraram”, o que representa uma perda de ao menos 55% sobre o total de 39.900 registrado pela Opas (Organização Pan-Americana de Saúde) em 2014”, indicou o documento.

A investigação foi realizada por 12 organizações não-governamentais que defendem os direitos dos pacientes. Às partidas dos médicos se somam às de 6.600 bioanalistas (33% de 20 mil) e 6.030 enfermeiras (24% de cerca de 24.500, segundo a Opas em 2014), aumentando em 74% o déficit de enfermeiros no país, detalhou o informe.

O documento diz também que, de 30 milhões de venezuelanos, 18,7 milhões, ou 62,3% não têm garantias de acesso a diagnósticos nem a tratamentos. A economia da Venezuela entrou em crise com a queda dos preços do petróleo, seu principal produto de exportação, a partir de 2014. Sem reservas de moeda forte e dependente de importações para insumos básicos, o país enfrenta dificuldades para comprar medicamentos e alimentos do exterior.

Um relatório da OMS (Organização Mundial da Saúde) do ano passado listou a Venezuela como um dos quatro países que enfrentam uma epidemia de malária, juntamente com Iêmen, Nigéria e Sudão do Sul. O Ministério da Saúde venezuelano reconheceu que, entre 2015 e 2016, houve um aumento de 33% na mortalidade infantil e de 66% na mortalidade materna.

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