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A crise faz jogadores de basquete trocarem a Argentina pelo Brasil

Há outras razões, além da situação econômica, que ajudam a explicar o aumento no êxodo dos argentinos. (Foto: Bauru Basket/Divulgação)

Enquanto a Argentina se orgulha da campanha do vice-campeonato da seleção de basquete na Copa do Mundo, a La Liga (principal competição nacional) convive com o aumento no número de jogadores migraram para clubes brasileiros.

Dez atletas que estavam em equipes argentinas até a última temporada, nascidos no próprio país ou de outras nacionalidades, já foram confirmados como reforços de times do NBB (Novo Basquete Brasil) para a edição 2019/20. Um aumento em relação às edições anteriores. Foram 2 em 2017 e 5 no ano passado que deixaram a liga argentina para atuar no Brasil.

Entre os fatores que explicam o crescimento desse fluxo está a severa crise econômica pela qual passa a nação presidida por Mauricio Macri. No fim de agosto, o governo decidiu declarar moratória (adiar o prazo de pagamento) de parte de sua dívida de curto prazo.

Atualmente, 1 dólar equivale a 57 pesos argentinos, cenário que torna difícil o fechamento de contratos em moeda estrangeira com jogadores de fora e traz insegurança financeira para muitos atletas.

Lucas Faggiano, 30, foi um que deixou uma equipe da La Liga para jogar no Bauru na próxima temporada do NBB, que começa dia 12 de outubro. “Os clubes na Argentina refletem o que o país vive no momento. Então, em períodos de dificuldade econômica, eles também se veem afetados de maneira direta e indireta nos ingressos, patrocinadores e na montagem de elenco”, disse o armador.

Enrique Agosti, dirigente do Estudiantes de Concordia, cidade com cerca de 200 mil habitantes localizada na província de Entre Ríos (a cerca de 430 km de Buenos Aires), concorda com o atleta. “A verdade é que é muito difícil fazer basquete profissional na Argentina, ainda mais em um clube de bairro [equipes menores]”

Historicamente, não havia uma diferença muito grande na média dos salários pagos nos campeonatos de primeira divisão de Brasil e Argentina. Atualmente, porém, a variação do câmbio torna a comparação com os rivais sul-americanos favorável aos brasileiros, ainda que as equipes do NBB também sofram com as oscilações econômicas e os contratos firmados em dólar.

“Infelizmente, nossa economia ainda não nos permite ampliar e melhorar a qualidade das nossas contratações como é feito hoje, por exemplo, na Espanha. Mas de certa forma conseguimos manter um número considerável de bons jogadores estrangeiros por aqui”, afirmou Sérgio Domenici, CEO da LNB (Liga Nacional de Basquete), que organiza o NBB.

Há outras razões, além da situação econômica, que ajudam a explicar o aumento no êxodo dos argentinos. Em geral, a elite do basquete brasileiro leva vantagem sobre os vizinhos na estrutura física dos ginásios e principalmente na parte logística.

Na Argentina, os times jogam mais vezes durante a temporada e costumam encarar centenas de quilômetros de estrada para entrar em quadra. Segundo Agosti, no caso do Estudiantes apenas distâncias acima de 600 km são percorridas de avião. Para trechos mais curtos, o clube utiliza um motorhome.

Também contribuíram com esse crescimento o aumento do limite para quatro jogadores estrangeiros por equipe no NBB (era de três até a última temporada) e a possibilidade de sucesso evidenciada por alguns dos argentinos que chegaram ao Brasil nos últimos anos.