Sexta-feira, 22 de Novembro de 2019

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Brasil A defesa do presidente nacional do PSL diz “estranhar” ação da Polícia Federal em um “momento de turbulência política”

Deputado e presidente nacional do PSL é alvo de buscas da operação Guinhol, deflagrada para apurar supostas fraudes na aplicação de recursos. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)  

A defesa do deputado e presidente nacional do PSL, Luciano Bivar, diz “estranhar” a “inversão de lógica” da Operação Guinhol, que realizou buscas na manhã nesta terça-feira (15), em endereço ligado ao parlamentar. Em nota, o escritório do advogado Ademar Rigueira, que responde pela defesa do deputado e do partido em Pernambuco, indica que tal percepção se dá, “principalmente por se estar vivenciando um momento de turbulência política”.

“É de se estranhar que uma investigação dessa natureza, onde ao longo de todos esses meses não se conseguiu provar nenhuma fraude no processo eleitoral, agora e só agora, se peça uma busca e apreensão nos escritórios residências das pessoas investigadas. A defesa quer crer que isso não tenha nenhuma motivação política, isso seria na verdade desprezível. A defesa acredita que não há essa motivação mas há um grande equívoco”, indicou o advogado de Bivar.

Na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro atacou o PSL, partido pelo qual se elegeu no ano passado, e indicou que poderia mudar de sigla. O presidente disse a um apoiador que se identificou como pré-candidato pela legenda no Recife para que ele esquecesse o partido e afirmou que Bivar “está queimado para caramba”.

Nesta segunda-feira (14) o presidente ainda não havia tomado uma decisão oficial sobre a sua posição no PSL, mas através do porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, afirmou que “qualquer casamento é passível de divórcio”.

A insatisfação do presidente teria crescido após sua dificuldade em controlar a sigla para as eleições 2020. O partido é alvo de disputas internas e sua bancada na Câmara está dividida, com ameaça de debandada.

Na quarta-feira (09), Bivar comentou a declaração de Bolsonaro e disse considerar que o presidente já decidiu pela saída do partido. “Quando ele diz a um estranho para esquecer o PSL, mostra que ele mesmo já esqueceu. Mostra que ele não tem mais nenhuma relação com o PSL”, afirmou o dirigente partidário.

Na ocasião o deputado avaliou que, ao atacar o PSL,0 o presidente teria a intenção de mostrar que não tem envolvimento com denúncias sobre irregularidades envolvendo a candidaturas de mulheres que teriam sido usadas como “laranjas” para obter recursos públicos. “Acho que ele quis sair porque tem preocupação com as denúncias de laranjas. Ele quer ficar isento dessas coisas”, afirmou Bivar.

A ação desencadeada nesta terça-feira apura denúncias de tal teor – supostas fraudes na aplicação de recursos destinados a candidaturas femininas em Pernambuco. Ao todo a Polícia Federal cumpriu nove mandados de busca expedidos pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Estado.

Segundo a corporação, há indícios de que os recursos destinados às candidaturas de mulheres foram usados “de forma fictícia” e “desviados para livre aplicação do partido e de seus gestores”.

Em manifestação sobre a ofensiva da PF, a defesa de Bivar enfatizou que o inquérito que baseou a operação se estende há 10 meses e alega que não há indícios de fraude no processo eleitoral. Ele indicou ainda que as buscas foram autorizadas em grau recursal, pelo TRE, e que o juízo de primeiro grau teria reconhecido o ‘equivoco’ das medidas.

Em março, o TRE-PE autorizou a PF (Polícia Federal) a abrir investigação sobre suposto esquema de irregularidades no Estado na aplicação do fundo eleitoral do PSL na campanha de 2018. A apuração envolvia candidata à deputada federal Maria de Lourdes Paixão, que teria atuado como “laranja” para receber R$ 400 mil de verba pública eleitoral.

A “Guinhol” também acontece duas semanas após o Ministério Público de Minas Gerais denunciar o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, por irregularidades envolvendo candidaturas de mulheres nas eleições de 2018. Antônio presidia o PSL mineiro à época. No mesmo dia, o ministro também foi indiciado pela Polícia Federal no inquérito da Operação Sufrágio Ostentação.

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