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A diretora do departamento de prevenção ao vírus da aids foi demitida do Ministério da Saúde. Entidades do setor criticaram a decisão

ONGs ressaltaram o trabalho desenvolvido por Adele Benzaken. (Foto: Agência Brasil)

O Ministério da Saúde irá trocar a direção do departamento de HIV/Aids e Hepatites Virais, responsável pelos programas de prevenção e controle de infecções sexualmente transmissíveis no País. Nesta semana, a médica sanitarista Adele Benzaken foi avisada de sua exoneração do cargo, em conversa com o novo titular da Secretaria de Vigilância em Saúde, Wanderson Oliveira.

A medida ocorre poucos dias após o governo retirar do ar uma cartilha voltada à saúde de homens transexuais, alegando a necessidade de correções no documento.

Além disso, na semana passada o novo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, declarou ao jornal “Folha de S.Paulo” que o governo precisa voltar a estimular a prevenção do HIV, “mas sem ofender as famílias”. “Vamos ter que ver a maneira como isso se dá sem ofender aqueles que entendem que isso possa ser uma invasão do Estado no seu ambiente familiar”, frisou.

Ele aproveitou a entrevista para fazer críticas à atual política de prevenção ao vírus da aids. “A linguagem adotada claramente não está surtindo efeito”, avaliou, referindo-se ao avanço da doença entre os jovens. “Temos que rever o padrão de comunicação.”

Reação

A mudança gerou reação de entidades que representam especialistas e portadores de HIV, que passaram a enviar cartas ao novo ministro pedindo que a atual diretora seja mantida no cargo.

Em ofício enviado na quinta-feira ao Ministério, o Fórum de ONG/Aids de São Paulo afirma que Adele ajudou o Brasil a retomar o seu lugar de destaque na resposta à epidemia e trabalhou para expansão de outros métodos preventivos ao HIV, a exemplo da Pep (profilaxia pós-exposição) e da Prep (Profilaxia pré-exposição):

“Mais recentemente, também, a campanha governamental de conscientização da importância da prevenção do HIV ajudou a difundir – sem ofender às famílias – as conclusões dos resultados de estudos científicos sobre o ‘indetectável = intransmissível’, que incentiva a adesão ao tratamento antirretroviral pelas pessoas vivendo com vírus”. Infectologistas e representantes de outras entidades como a Anaids também enviaram cartas à direção da pasta.

Questionado por jornalistas, o Ministério da Saúde informou que Adele “não será mais a diretora mas foi convidada para continuar a contribuir com a política”. Para o lugar dela, será designado o médico epidemiologista Gerson Pereira, atual diretor-substituto do departamento. Ainda não há uma confirmação oficial se ele assumirá o cargo de forma definitiva.

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