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A dívida bruta brasileira chegou a mais de 5 trilhões de reais em maio

Dívida bruta brasileira atinge 78,7% do PIB em maio, diz Banco Central. (Foto: Marcos Santos/USP Imagens)

A dívida bruta brasileira chegou a R$ 5,48 trilhões em maio, informou o Banco Central na sexta-feira. O montante equivale a uma fatia de 78,7% do PIB (Produto Interno Bruto). A tendência é que o endividamento continue alto, já que o governo não tem dinheiro para abater os juros que incidem sobre a dívida. A expectativa do próprio governo é que ela avance a 80% até o final deste ano. As informações são do jornal O Globo.

O montante se manteve praticamente estável na comparação com o registrado em abril, quando a relação entre dívida bruta e PIB atingiu o maior percentual da série histórica, iniciada pela autoridade monetária em 2006; 79% do PIB. Segundo o BC, a devolução de recursos pelo BNDES ao Tesouro Nacional contribui para uma ligeira diminuição. Os recursos foram usados para abater o estoque.

O indicador é um dos principais aspectos levados em conta por agências de classificação de risco internacionais. Hoje, o patamar registrado no Brasil é maior que a média registrada entre países emergentes, cujo endividamento representa cerca de 50% do PIB. Em 2010, a relação entre a dívida bruta e o PIB brasileiro era de 52%.

A informação, dada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, de que o governo pode ainda liberar mais de R$ 100 bilhões de recursos na economia por meio da redução de depósitos compulsórios – dinheiro que os bancos são obrigados a deixar depositados no Banco Central – também pode impactar a dívida bruta. Isso porque, quando esse dinheiro entra no mercado, o BC acaba tendo que fazer operações compromissadas (que aumentam o estoque) para enxugar a liquidez.

O chefe do departamento de estatísticas do Banco Central, Fernando Rocha, admitiu essa possibilidade nesta sexta-feira ao comentar o anúncio de Guedes. Ele, no entanto, disse que esse impacto não é automático. Segundo ele, é preciso aguardar os efeitos do que já foi efetivamente anunciado pelo BC, uma redução no compulsório a prazo, o que vai liberar R$ 16,1 bilhões na economia.

“Caso as condições de liquidez da economia não fossem afetadas por outros fatores, se efeito líquido desse fator for aumentar operações compromissadas, dívida bruta aumenta. Mas não é efeito mecânico, depende de uma série de condições. Depende do que os bancos vão fazer com os R$ 16 bilhões, oferecer mais, o mesmo ou menos que isso”, disse Rocha.

Déficit primário

O Banco Central também informou que as contas do setor público fecharam o mês de maio no vermelho, depois da melhora registrada em abril. Na prática, as receitas foram menores que as despesas nesse período. O saldo negativo foi de R$13 bilhões, ante aos R$8,2 bilhões registrados no mesmo mês de 2018.

O número foi puxado pelo governo federal, que registrou um déficit de R$ 13,2 bilhões. Já os governos dos Estados registraram um superávit de R$1,2 bilhões. Nas empresas estatais, o cenário também foi deficitário em R$1,1 bilhão em maio.

Apesar do resultado deste mês, as contas públicas terminaram os primeiros cinco meses do ano no azul, com um superávit de quase R$ 7 bilhões, puxado pelo saldo positivo dos Estados. No acumulado do ano, esse cenário favorece o cumprimento da meta fiscal para 2019 que, ainda assim, é de rombo: União, Estados, municípios e empresas estatais não podem ultrapassar R$ 132 bilhões no vermelho este ano. Será o sexto ano seguido de déficit. Ao longo de 2018, as contas do setor público tiveram um déficit primário R$ 108 bilhões.

De acordo com Fernando Rocha, o saldo positivo do acumulado do ano tende a se reverter no próximo semestre:

“Tivemos um grande superávit em janeiro, outro em abril, devido à sazonalidade melhor do começo do ano (pagamento de impostos). Nos próximos meses, a sazonalidade é pior, e o superávit vai se reduzir progressivamente ao longo do ano até virar déficit, e ir crescendo”, afirmou Rocha.

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