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A entidade máxima do futebol mandou as emissoras de televisão reduzirem as filmagens de “torcedoras bonitas”

A medida foi tomada porque os casos de sexismo na Rússia foram mais comuns que os de racismo. Uma entidade parceira registrou 45 denúncias sexuais até agora no Mundial. (Foto: Reprodução)

Em meio aos casos de assédio sexual na Rússia, a entidade máxima do futebol exigiu nesta quinta-feira (12), que as emissoras de televisão reduzam as filmagens de torcedoras “atraentes” durante os últimos jogos da Mundial deste ano.

De acordo com o chefe do departamento de responsabilidade social da entidade, Federico Addiechi, a medida foi tomada porque os casos de sexismo na Rússia foram mais comuns que os de racismo. Uma entidade parceira registrou 45 denúncias sexuais até agora no Mundial.

A entidade máxima ainda destacou que a decisão é uma “evolução normal”, apontando que, em comparação com o Mundial anterior, em 2014, no Brasil, as filmagens dos jogos melhoraram.

Além dos casos de abusos contra torcedoras, como o do grupo de brasileiros que assediou uma estrangeira em um vídeo, foram registrados também diversos assédios de torcedores contra repórteres mulheres.

A final da edição deste ano da competição mundial será disputada neste domingo (15), entre Croácia e França. Um dia antes, Bélgica e Inglaterra vão se enfrentar pela terceira posição da competição.

Inquérito

O Ministério do Interior da Rússia abriu um inquérito formal contra os brasileiros que, nos primeiros dias do Mundial, constrangeram uma mulher em Moscou, num vídeo que difundiram pela internet.

A decisão do governo foi uma reação à denúncia apresentada pela advogada e ativista russa, Alyona Popova. Numa carta endereçada a ela, a polícia de Moscou confirmou que iniciou investigações.

O documento, obtido pelo jornal O Estado de S. Paulo, indica que um registro especial foi dado ao caso, dentro do Ministério do Interior. As autoridades tinham um mês para dar uma resposta à ativista, o que significava que tinham um prazo até 20 de julho para tomar uma decisão. Mas anteciparam o processo e, em apenas dez dias, optaram por iniciar o caso.

Na carta enviada ao governo, a ativista considerava que “cidadãos estrangeiros deveriam pedir desculpas publicamente, e para a menina, e todos cidadãos russos diante do sexismo, da falta de respeito às leis da Federação Russa, o desrespeito por um cidadão russo, insultos, humilhação da honra e dignidade de um grupo de pessoas com base em seu gênero”.

Caso sejam considerados como culpados, os brasileiros podem sofrer sanções que vão desde multas até a proibição de voltarem a entrar em território russo.

Na comunicação ao governo datada de 20 de junho, Popova cita artigos das leis russas que apontam para punições quanto à humilhação ou insulto.

Nesse caso, multa pode chegar a 3 mil rublos (R$ 175). Mas também existiria a possibilidade de que os brasileiros sejam denunciados por violência da ordem pública e abusos sexuais. Uma responsabilidade criminal apenas poderia ser atribuída se ficar constatado que o ato tem uma relação com discriminação de sexo, de raça ou nacionalidade.

Num texto publicado pela ativista, ela alerta que um dos envolvidos tinha um cargo público e que “não podem humilhar” a mulher russa. Ela se referia ao tenente da Polícia Militar de Santa Catarina Eduardo Nunes, um dos identificados no vídeo. Segundo a advogada, a ofensa tem uma relação direta com “nacionalidade e gênero”. “Gostaria que esses cidadãos fossem punidos”, escreveu.

 

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