Últimas Notícias > Notícias > Brasil > Após semana turbulenta, Paulo Guedes visita Bolsonaro no hospital

A equipe de Bolsonaro se reunirá para tentar superar as divergências internas de sua campanha

Os três filhos mais velhos do candidato devem participar do encontro. (Foto: Reprodução)

A equipe que comanda a campanha do candidato do PSL ao Palácio do Planalto, Jair Bolsonaro, deve se reunir em São Paulo, no começo desta semana, decidida a encerrar as divergências internas na reta final do primeiro turno da corrida presidencial. O encontro foi acertado com o presidenciável, que se recupera no Hospital Albert Einstein do atentado sofrido na semana passada.

A ideia é dar uma demonstração pública de coesão, depois de uma semana de atritos nos bastidores entre os grupos do general da reserva Hamilton Mourão (PRTB), candidato a vice na chapa, e do presidente nacional do PSL, Gustavo Bebianno.

Além de Mourão e Bebianno, devem participar do encontro três filhos de Bolsonaro: Flávio, Carlos e Eduardo. Na terça-feira passada, Mourão e os também generais da reserva Augusto Heleno Ribeiro e Oswaldo Ferreira, além do presidente do PRTB, Levy Fidélix, reuniram-se em Brasília.

Durante o encontro (ao qual Bebianno não compareceu), Fidélix reclamou que o presidente do PSL tentava impedir que Mourão ocupasse o papel de vice no momento de ausência de Bolsonaro. “É preciso acertar os ponteiros”, disse um aliado próximo do candidato.

Responsável pela filiação de Bolsonaro ao PSL, o deputado federal Luciano Bivar (PE) avaliou que é “natural” que depois da “tragédia” do atentado e o isolamento do presidenciável no hospital, os aliados ficassem mais distantes: “Tem diálogo. Agora, é natural que o pessoal fique mais contido. É um momento de muita tensão”.

Bivar observou que a saída de Bolsonaro das ruas prejudicou especialmente as atividades de campanha no Nordeste, onde o presidenciável tinha extensa agenda de viagens às principais cidades da região.

Os descompassos na campanha ficaram mais nítidos nesta quinta-feira, 13, dia seguinte à segunda cirurgia, o que levou médicos a aumentarem as restrições de acesso ao seu quarto. Vídeos e entrevistas que o candidato tinha planejado foram suspensos.

Com Bolsonaro hospitalizado e PSL e PRTB se desentendendo, a campanha segue sem unidade. Na sexta-feira, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que busca a reeleição para mais um mandato na Câmara dos Deputados, fez campanha na cidade paulista de Sorocaba. Já Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), que concorre ao Senado, comandou uma carreata em Campo Grande (RJ) nesse sábado. Mourão, por sua vez, foi ao Paraná e Manaus (AM).

Nesta sexta-feira, Flávio negou haver divisão na campanha: “Não há nada disso. Estamos todos unidos, soldados do capitão”. Ainda segundo ele, ainda não é possível planejar o retorno de Jair Bolsonaro à campanha, mas o pai fica perguntando. “Se dependesse dele, estaria na rua fazendo campanha, mas ele vai seguir obedecendo aos médicos”, relatou.

Atos de campanha

Enquanto Bolsonaro permanece hospitalizado, aliados organizam uma série de atos para manter a campanha sem ele. Neste domingo, 16, está prevista uma vigília de apoio nos arredores do Albert Einstein. Chamada de “vigília silenciosa”, a manifestação começou a ser organizada nesta sexta-feira e pretende fazer “uma corrente de oração”. Aliados nutrem esperança de o deputado retornar ao quarto e conseguir acenar da janela. Não há, porém, previsão da equipe médica em relação a isso.

Assessores dispararam via redes sociais uma convocação para que eleitores de Bolsonaro vistam amarelo nos estádios de futebol na rodada do fim de semana do Campeonato Brasileiro como forma de homenagear o candidato. Outra ideia é revisitar cidades onde Bolsonaro foi recebido com festa ao desembarcar em aeroportos.

Também está programado para a próxima quinta-feira, em Sorocaba, o evento “Viva Bolsonaro”, no qual ele será representado pelo filho Eduardo e outros candidatos do PSL. Há também a expectativa de que Mourão possa se unir ao grupo. “Quando possível, os aliados estarão juntos, mas cada um tem sua campanha e agenda próprias”, frisou um político ligado ao partido.

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