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A escassez de pilotos ameaça a expansão da aviação

Falta de pilotos já atinge alguns países. (Foto: Reprodução)

A indústria mundial da aviação tem o desafio de ampliar o ritmo de formação de pilotos, tripulantes e aeroportuários, para evitar que a falta de mão de obra especializada afete o ritmo de expansão do setor, apontam empresas e entidades da área. Na mais recente pesquisa da Iata (Associação Internacional do Transporte Aéreo), que representa as 275 maiores companhias aéreas do mundo, quase metade dos executivos de RH dessas empresas (48%) afirmam que encontrar novos talentos já é um desafio, seja por falta de candidatos com nível e qualificação adequados, seja por demandas salariais elevadas.

“Há uma crescente escassez de pilotos que está colocando cada vez mais em risco o atual crescimento do setor” afirmou Alexandre de Juniac, diretor-geral da Associação Internacional do Transporte Aéreo, no último encontro anual da entidade, em junho na Austrália.

O setor encerrou 2017 com 2,79 milhões de funcionários no mundo, dos quais cerca de 300 mil são pilotos. A entidade calcula que esse número vai crescer 3,4% em 2018, para 2,89 milhões de empregados. O problema é que a quantidade de aeronaves voando deve aumentar mais ainda, avançando 4,2% este ano, para 29,6 mil unidades.

A pesquisa da Iata mostra que os profissionais de RH das companhias aéreas estão preocupados não apenas com a contratação de profissionais em si, mas com os processos de integração dos novos funcionários. Apenas 28% dos entrevistados relataram que o treinamento atual é eficaz.

“Para resolver esse problema, é importante vincular o treinamento às metas organizacionais e continuar medindo a eficácia desses programas”, disse a chefe das áreas de parcerias, inovação e treinamento da Iata, Ivica Kovavic, destacando que segundo projeções da associação, a quantidade de passageiros embarcando vai saltar dos 4 bilhões apurados em 2017 para 7,8 bilhões em 2036, um crescimento médio anual de 3,6%.

As maiores fabricantes de aeronaves do mundo trabalham com cenários que reforçam esse quadro. A americana Boeing estima que as companhias aéreas e empresas de leasing vão encomendar 42,7 mil aeronaves nos próximos 20 anos. Metade desse jatos vai substituir aviões atuais, enquanto a outra metade vai ampliar a frota mundial, elevando-a para quase 50 mil unidades.

Para trabalhar nessa frota – maior e mais moderna – a Boeing estima que a indústria mundial da aviação comercial vai precisar formar, até 2037, cerca de 790 mil pilotos, além de 858 mil tripulantes e outros 622 mil técnicos para manutenção.

“A indústria da aviação continua enfrentando um desafio na oferta de mão de obra de pilotos, levantando a preocupação sobre a existência de uma falta global no curto prazo”, alerta o vice-presidente de Treinamento e Serviços Profissionais da Boeing, Keith Cooper. “Dar ênfase ao desenvolvimento da próxima geração de pilotos é fundamental para mitigar isso.”

A europeia Airbus estima que a aviação comercial vai movimentar US$ 4,6 trilhões em prestação de serviços nos próximos 20 anos. Desse total, cerca de US$ 1,5 trilhão serão despendidos em serviços de operações de voo, que incluem treinamento de pilotos.

No Brasil, a Airbus tem, por exemplo, parceria com a Azul no investimento que abriu um novo simulador para treinamento de pilotos em Campinas (SP).

Para executivos brasileiros do setor, esse gargalo que já existe em países como Estados Unidos só não apareceu aqui por causa da recessão, que atrasou a expansão da aviação. “Se tivéssemos um crescimento moderado, a gente estaria enfrentando um problema grande para encontrar profissionais de voos. Mas vamos ter essa questão aqui se o crescimento voltar na aviação”, disse o presidente da Latam Airlines Brasil, Jerome Cadier. “Estamos falando de um profissional difícil de encontrar, por causa do tempo e do investimento necessário para sua formação de cada um.”

Segundo Cadier, a Latam contratou 250 pilotos nos últimos 12 meses, para atender a primeira expansão de capacidade da companhia no País desde 2014. Em 2018, a empresa – vice-líder no transporte de passageiros em voos domésticos no Brasil – vai elevar a oferta em até 4% ante 2017. “Se a economia estivesse crescendo, teríamos dificuldades para fazer essas contratações”, disse o executivo da empresa que emprega 19 mil pessoas, das quais 2 mil pilotos. Para ele, a aviação brasileira precisa se antecipar a esse gargalo e incrementar a formação de profissionais, especialmente de pilotos. “Temos que ter uma solução mais articulada”, disse.

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