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A facada que quase matou Bolsonaro completa 1 ano e o presidente busca manter viva a memoria do ataque

"Há um ano eu nasci em Juiz de Fora", disse o presidente, em referência à cidade mineira onde foi esfaqueado. (Foto: Reprodução/Instagram)

Os mais exagerados contam que a cidade parou naquele dia. Ao menos a região central ficou caótica: primeiro pela multidão que, eufórica, cercava Jair Bolsonaro, e, em seguida, pelo corre-corre para salvá-lo da morte, depois que Adélio Bispo de Oliveira deu uma facada na barriga do então candidato do PSL a presidente em uma tentativa de assassiná-lo.

Quase um ano após a tarde de 6 de setembro em Juiz de Fora (MG), o roteiro do fato que interferiu nos rumos da campanha eleitoral de 2018 é relembrado por quem testemunhou o ataque e por aqueles que, de alguma forma, se envolveram na história.

Bolsonaro mantinha, àquela altura, a liderança nas pesquisas, com 22% das intenções de voto, segundo o Datafolha. No primeiro levantamento após o ataque, avançou para 24%, assumindo de vez a dianteira. Com uma orientação médica em mãos, ausentou-se de debates na TV e suspendeu a campanha de rua até se recuperar daquele atentado.

Adélio, o autor confesso, está trancafiado no presídio federal de Campo Grande (MS), de segurança máxima. Ex-filiado ao PSOL, disse que discordava das ideias do presidenciável e que agiu a mando de Deus. Declarado inimputável, foi absolvido em junho.

A Justiça considerou que ele não poderia responder pelo ato, por ter um transtorno mental, mas decidiu que deve ficar no presídio e se tratar. Adélio corre risco fora dali.

Bolsonaro, eleito com 55% dos votos no segundo turno (em Juiz de Fora, obteve 52% dos votos, superando o petista Fernando Haddad), manteve o assunto em evidência desde a vitória. A facada que quase o matou virou trunfo político.

O presidente e seus aliados ganharam, com a associação de Adélio ao PSOL, o combustível ideal para a retórica de contraposição à esquerda inflamada desde a campanha.

Sempre que pode, Bolsonaro se refere ao episódio. Em almoço com jornalistas no sábado (31), chegou a chorar. O presidente negou que o ataque tenha sido responsável por sua eleição. “A facada não me elegeu. Eu já estava eleito.”

Em 31 de julho, sem motivação aparente, ele publicou em suas redes sociais um vídeo com imagens de sua transferência para o hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde ficou internado por 23 dias em 2018.

“Devo minha vida a Deus. Obrigado a todos pelas orações e confiança! A missão de recuperar o Brasil é de todos nós”, escreveu. Nas imagens, ele é transportado em uma maca, de olhos fechados.

Dias depois, nova menção. Durante evento em Pelotas (RS), disse, com tom de voz grave: “Um cara filiado ao PSOL tentou tirar a minha vida. Agradeço a Deus por ele não ter conseguido esse intento”.

O filho Carlos Bolsonaro (PSC-RJ) correu para postar essa declaração em seu perfil no Twitter. O vereador estava na equipe que acompanhava o candidato no dia da facada.

Muito apegado ao pai, ele ficou ao lado de Bolsonaro nas internações. Chorou em vários momentos, temendo o pior.

O grupo de aliados que rodeava o presidente naquele ato de campanha guarda uma particularidade do ponto de vista político. Por coincidência, muitos caíram em desgraça e se afastaram de Bolsonaro.

O próprio Carlos, embora bastante próximo do pai no início do mandato, atuando como pivô em crises no governo, passou a ter papel secundário nos últimos tempos.

O caso mais emblemático, no entanto, é o de Gustavo Bebianno, um dos principais articuladores da candidatura presidencial. À época presidente nacional do PSL, ele monitorava os passos de Bolsonaro nas atividades em Juiz de Fora e tomou as primeiras providências após o ataque.

Ele foi o primeiro ministro a cair no novo governo. Nomeado para a Secretaria-Geral, acabou demitido após a revelação, pela Folha, do caso de candidaturas laranjas no partido. Em um curto prazo, passou de confidente a inimigo.

O mesmo escândalo atingiu Marcelo Álvaro Antônio, que presidia o PSL em Minas na época do atentado e foi um dos organizadores da visita. Ele coordenou a campanha de Bolsonaro no estado e virou ministro do Turismo.

Em julho, a Polícia Federal indiciou três assessores de Álvaro Antônio. O presidente optou por manter o auxiliar na equipe sob o argumento de que não surgiram até agora provas robustas contra ele.

A nuvem de azar alcançou também políticos que aterrissaram em Juiz de Fora na ocasião para demonstrar solidariedade ao presidenciável — e também para dar entrevistas no hospital e publicar imagens nas redes sociais.

O então senador Magno Malta (PL-ES) já tinha sido preterido na escolha do vice, mas seguia firme ao lado do capitão reformado. Entrou na UTI, ligou o celular sobre o leito e gravou um vídeo em oração.

Derrotado na tentativa de se reeleger para o Senado, Malta nutriu até o último momento o sonho de um convite para ser ministro — que não veio.

Alexandre Frota foi outro que se deslocou para Minas. O ator se juntou à vigília dos apoiadores em Juiz de Fora. Eleito deputado federal pelo PSL, acabou expulso da legenda por fazer críticas ao governo e ao chefe do Planalto.

“Persona non grata” no bolsonarismo, acaba de migrar para o PSDB, pelas mãos do governador João Doria (SP).