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A Ford comemora a produção de 10 milhões de Mustangs

À esquerda, o Ford Mustang de número 10 milhões, e, à direita, e a primeira unidade do "pony car" a ser produzida. (Foto: Reprodução)

O clássico Ford Mustang chega aos 54 anos ultrapassando um marco importante: o de dez milhões de unidades produzidas.

Para comemorar em grande estilo, a montadora realizou uma festa em sua sede em Michigan nesta quarta-feira (8), com direito a desfile de vários modelos do pony car — subgênero de carro ao qual o Mustang deu origem — que se tornou um dos ícones da cultura americana e aparece em músicas e filmes como o longa “60 segundos”.

O marco para o modelo também é uma chance para a Ford, que aposta no grande apelo do Mustang para acelerar as vendas da montadora — que têm caído nos EUA, mas crescem em mercados como a China e a Alemanha.

A ideia da empresa é apelar para a nostalgia do público pelo que é visto como o “carro da liberdade” original, representando o amor dos americanos pela estrada. E, assim, faz jus ao animal que deu nome ao possante: um cavalo que vaga livre pelo Oeste americano.

O historiador automotivo John Heitmann, da Universidade de Daytona, comenta a relação dos americanadas com o Mustang:

“Não consigo pensar em nenhum outro carro fabricado nos EUA que capte o caso de amor com automóveis que os americanos têm… como o Mustang.”

“Pony car”

O Mustang deu origem a um subgênero de carros. Do ponto de vista técnico, o modelo original não foi concebido como um muscle car para atrair os fãs de alta velocidade.

Ele era na verdade um dos chamados pony cars originais — uma espécie de irmão menor, acessível e prático dos esportivos chamativos, destinado a jovens profissionais, inclusive mulheres.

Mas o Mustang tornou-se um ícone quase desde o início, em grande parte graças ao marketing que se assemelha ao do lançamento de um iPhone nos dias de hoje.

A primeira aparição foi na primavera de 1964, na Feira Mundial de Nova York, muito antes de outras empresas anunciarem suas últimas ofertas no outono. Os jornalistas da indústria automotiva estavam presentes. O historiador de carros Bob Merlis, na época adolescente, testemunhou o lançamento da Feira Mundial:

“Foi quase uma confusão. As pessoas estavam muito animadas com este carro”, disse Merlis.

Wilson Pickett imortalizou o carro em “Mustang and Sally”, um clássico de ritmo e blues de 1966. Dois anos mais tarde, o astro americano Steve McQueen dirigiu um Mustang no thriller “Bullitt”. Ele mesmo capturou a imaginação do público no exterior, aparecendo em 1966 no filme francês vencedor do Oscar “A Man and a Woman”, de Claude Lelouch.

A Ford tem usado o passado nostálgico. No Salão do Automóvel de Detroit deste ano, a empresa apresentou uma nova edição limitada do Bullitt Mustang, juntamente com o original restaurado de McQueen. Para a comemoração, a Ford pretende ressaltar a lealdade dos proprietários do Mustang à marca, apresentando o primeiro Mustang já comprado — ainda de propriedade do comprador original. Os proprietários de Mustang também são conhecidos por formarem clubes e restaurarem modelos mais antigos.

“Nossa intenção é ter todos os 54 anos representados. Para nós, obviamente, é um grande dia”, disse o porta-voz da Ford, Jihan Cadiz.

Os Mustangs desfilaram da sede da empresa em Dearborn, um subúrbio de Detroit, para a fábrica de Flat Rock onde o Mustang estava montado. A comemoração é parte de uma decisão estratégica do gigante automobilístico americano de focar fortemente no ícone esportivo.

O Mustang em breve será um dos dois únicos carros de passageiros da Ford — junto com o Focus — vendido na América do Norte. Todas as outras ofertas da Ford serão caminhões e SUVs. A empresa vendeu cerca de 81 mil Mustang em 2017, representando 0,5% do mercado norte-americano de automóveis, segundo a Autodata. Mas as vendas do Mustang estão crescendo no exterior.

O analista da indústria automobilística Karl Brauer, da Kelly Blue Book, disse que a fabricante está apostando na atração do Mustang como símbolo cultural americano — até mesmo vendendo o veículo em lugares como a Alemanha, onde há uma orgulhosa tradição de carros potentes.

“Ele vende muito bem globalmente. Então, claramente, há fãs seguindo”, avalia Brauer.

Desde que a Ford começou a exportar Mustangs em 2015, o carro se tornou o esportivo mais vendido do mundo. A companhia também diz que o veículo é o mais vendido na China, que até 2025 deve ter o dobro da participação do mercado mundial de carros em comparação com os EUA.

 

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