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À frente de Geraldo Alckmin e Ciro Gomes em pesquisa do Datafolha, o ex-ministro do Supremo Joaquim Barbosa se credencia para a disputa presidencial de outubro

Com Lula na disputa, o ex-ministro do STF aparece em quarto lugar nas pesquisas. (Foto: Fellipe Sampaio/STF)

O fator Joaquim Barbosa, revelado na última pesquisa Datafolha, em que o ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) aparece à frente de candidaturas tradicionais como a do tucano Geraldo Alckmin ou a de Ciro Gomes (PDT), movimentou o cenário para as eleições de outubro.

Filiado ao PSB, mas ainda sem definição se será ou não candidato a presidente da República, o relator do processo do mensalão do PT aparece em quarto lugar, com 8% das intenções de voto no cenário com Lula candidato, atrás de Jair Bolsonaro (PSL), com 15%, e de Marina Silva (Rede), com 10%. Sem Lula na disputa, Barbosa passa a terceira colocação, com 9% das intenções de votos, empatado com Ciro Gomes. Fica apenas atrás de Jair Bolsonaro, com 17%, e de Marina, com 15%, que passa a ter empate técnico com o deputado do PSL e aparece como a principal beneficiada pela migração de votos do petista.

Joaquim Barbosa só não será o candidato do PSB à Presidência da República se não quiser. O prazo para ele se decidir é maio, mas o martelo pode ser batido ainda esta semana. Resistências pontuais a seu nome são consideradas irrelevantes e motivadas por “falta de conversa”, na opinião do presidente nacional da legenda, Carlos Siqueira. O resultado da pesquisa Datafolha, sem que Joaquim Barbosa tenha se apresentado como candidato, foi considerado espetacular pelo dirigente do partido.

Em praticamente todos os cenários, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o presidente Michel Temer (PMDB) aparecem estacionados em 1% das intenções de votos. O mesmo acontece com o ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

Siqueira diz que o ex-ministro do STF ainda não mostrou seu real potencial e pode crescer muito caso se exponha oficialmente como o candidato que representa “o novo”, de vida limpa e preparado para a disputa.

“No dia que ele assinou a ficha de filiação no PSB, houve um acordo. O combinado é que ele entrava sem a garantia da legenda de que seria o candidato a presidente, e o ministro teria mais tempo para refletir se aceitaria ser o candidato. A hipótese de ser é muito grande. Eu não apostaria na possibilidade de não ser. O único senão reside na dúvida de setores pontuais, que ainda têm certas interrogações em relação a essa candidatura, pelo fato de não o conhecerem suficientemente”, diz Carlos Siqueira.

Resistência

O presidente do PSB não revela quem no partido resiste ao nome de Barbosa, mas diz que não representa a maioria. A senadora Lídice da Mata (PSB-BA) e o senador João Alberto Capiberibe (PSB-AP), explica Siqueira, veem Barbosa como um bom nome, mas sentem a necessidade de conversar mais. Os termos do PSB para dar a legenda a Barbosa, diz, refere-se a aceitação de temas programáticos do partido que tem 70 anos e um perfil de centro-esquerda. Carlos Siqueira não concorda com críticos que veem em Joaquim Barbosa um perfil autoritário e de comportamento centralizador.

O vice-presidente do PSB, Beto Albuquerque, afirma que a decisão não pode ultrapassar o mês de maio. “Eu diria que o limite para ele dar a resposta é maio, para preparar a campanha, acertar programa, montar as condições. Não pode deixar as coisas chegarem muito em cima do laço. Maio é o limite da tolerância para ter de fato uma candidatura presidencial competitiva.”

Antes mesmo do anúncio oficial de uma possível candidatura a presidente da República pelo partido, dirigentes do PSB começaram a distribuir um vídeo com um perfil de Joaquim Barbosa.

“Conheça muito sobre Joaquim Barbosa em apenas um minuto” é o título da apresentação, que relembra como o ex-ministro do STF ganhou fama no julgamento do mensalão e começa com uma foto 3X4, em preto e branco, do ministro ainda criança. Fala de sua origem humilde, da ascensão pela meritocracia e destaca que a data de seu aniversário de 64 anos é no mesmo dia em que acontecerá o primeiro turno das eleições de outubro.

Sobre um outro cenário, na hipótese de Barbosa não assumir a candidatura, o presidente nacional do PSB descarta a ex-ministra Marina Silva (Rede) como alternativa, embora o Datafolha demonstre que ela é a candidata que agrega o maior número de eleitores, caso Lula fique de fora da disputa. A candidatura de Marina pelo PSB, em 2014, como vice de Eduardo Campos, e depois como candidata após a morte do ex-governador, deixou marcas no partido.

“Marina seguirá outro caminho. Está fora de cogitação. Tanto é que o partido dela é oposição aos nossos três governadores. Uma possível chapa Joaquim/Marina está fora de cogitação”, garante Carlos Siqueira.

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