Quinta-feira, 21 de Novembro de 2019

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Brasil A fusão de partidos nanicos é a alternativa para Bolsonaro deixar o PSL

O governo pretende ainda facilitar a dispensa de servidores públicos. A medida seria adotada apenas para futuros servidores, segundo Bolsonaro. (Foto: Marcos Corrêa/PR)

A família Bolsonaro tem conversado com partidos menores no Congresso Nacional e estuda a possibilidade de uma fusão de legendas “nanicas” viabilizar a saída do presidente Jair Bolsonaro do PSL, segundo informou o jornal O Globo nesta quinta-feira (10).

De acordo com a publicação, na quarta-feira (9) o presidente da República disse a deputados que quer sair do partido, presidido pelo deputado Luciano Bivar (PSL-PE), que estaria “queimado pra caramba”, nas palavras de Bolsonaro.

Entretanto, Bolsonaro só toparia deixar o PSL após ter garantias jurídicas quanto aos mandatos dos parlamentares que o seguirem, e que os recursos financeiros da legenda, como o Fundo Partidário e Eleitoral, fossem congelados.

Um dos alvos da família Bolsonaro – o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) e o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) têm conversado com dirigentes de outros partidos – é o Patriota, que poderia se fundir a outro partido como forma de, perante a lei, assegurar o mandato daqueles que se filiassem à nova sigla.

Oficialmente, Bolsonaro recuou das críticas feitas ao PSL, chamando a polêmica da semana de “briga entre marido e mulher”. Contudo, o próprio Bivar já argumentou que o presidente da República já estaria “afastado do partido”.

Também em entrevista ao jornal, o cientista político Jairo Nicolau comentou que o plano da família Bolsonaro não possui muita lógica, sobretudo quando se consideram as eleições municipais de 2020 e as majoritárias de 2022.

“É difícil entender o que ele está querendo fazer. Só se ele estiver achando que com a mídia social e a família repetirá em 2022 o desempenho que teve em 2018. Ele não fez uma base de sustentação, agora fala em sair do partido que foi um fenômeno eleitoral por causa dele”, comentou.

Para o analista, “seria a hora mais lógica de ele consolidar o partido de extrema-direita para apoiar seu projeto”.

“Eles não gostam que se defina o grupo político como de extrema-direita, mas essa é a definição correta. O PSL terá um volume grande de recursos através dos fundos eleitorais, mais de R$ 300 milhões. E para uma eleição municipal será necessário ter tempo de TV e dinheiro”, completou Nicolau.

Coincidência ou não, a crise entre Bolsonaro e o PSL se aprofundou após uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo apontar que recursos de “laranjas” do partido teriam pago contas da campanha do próprio presidente da República.

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