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A futura ministra da Agricultura negou conflito de interesses por ter sua fazenda arrendada para a JBS/Friboi

A deputada também minimizou o fato de ter recebido doações indiretas da JBS em sua campanha para a Câmara em 2014. (Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados)

A futura ministra da Agricultura, deputada Tereza Cristina (DEM-MS), negou na manhã desta quinta-feira (8) que haja conflito de interesses em assumir a pasta pelo fato de uma propriedade de sua família estar arrendada para a JBS-Friboi. Ela afirmou que a fazenda faz parte de um inventário, na qual ela tem direito a um quinto do imóvel rural.

“Eu tenho uma propriedade, um condomínio com meus irmãos, sou inventariante e minha família arrenda um confiamento para a JBS, que é do lado da nossa propriedade. Isso há muitos anos já. Não vejo (conflito de interesses)”, afirmou Tereza Cristina.

Ela negou qualquer desconforto com o tema e afirmou que pode encaminhar a documentação ao presidente eleito Jair Bolsonaro, se for solicitada. “Só se eu fizesse alguma coisa escondida, está tudo dentro da lei, com contrato assinado, não vejo nenhum problema. Isso aí, se o presidente me perguntar, estão lá os documentos”, disse a indicada para o ministério.

Tereza Cristina também minimizou o fato de ter recebido doações indiretas da JBS em sua campanha para a Câmara em 2014.

Ministério do Meio Ambiente

Tereza Cristina disse que Bolsonaro irá escolher o futuro ministro do Meio Ambiente, mas que tem técnicos para indicar se ele pedir uma sugestão. “É uma escolha exclusivamente do presidente da República. Se eu for perguntada, posso sugerir pessoas que eu acho que têm gabarito para isso”, afirmou.

Ela disse que ainda precisa conversar com o presidente eleito para compreender qual será a amplitude da sua pasta, como o retorno da área de Pesca e, possivelmente, da agricultura familiar. Ela elogiou a gestão de Blairo Maggi, com quem já falou por telefone, e afirmou que a ideia é ter um ministério “mais moderno”.

“O que os produtores esperam é segurança jurídica, defesa da propriedade e um ministério mais moderno, com mais acordos comerciais. Preciso conversar mais com o ministro Blairo, me inteirar mais. Hoje a agricultura e a pecuária brasileira são o motor, o carro chefe da nossa economia. Precisamos ver o que mais está faltando para que esse motor seja mais acionado, porque capacidade de produção os produtores brasileiros têm”, disse.

Tereza Cristina disse ainda ter dúvidas sobre o projeto que poderia classificar como ações terroristas invasões de terras realizadas por grupos como o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra), proposta já defendida por Bolsonaro. Ela afirmou que o tema precisa ser debatido com Sérgio Moro, que será titular da área de Justiça e Segurança Pública.

“Eu tenho um pouco de dúvida. Já temos leis para isso. Precisa ser discutido com o juiz Sérgio Moro. Ele já deu a opinião dele”, disse a futura ministra, em referência à afirmação do futuro ministro da Justiça de que enquadrar movimentos sociais como terrorismo “não é consistente”, o que não significa, para ele, que essas organizações sejam inimputáveis.

 

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