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A guerra comercial entre os Estados Unidos e a China: quem ganha, quem perde e como fica o Brasil

O presidente dos EUA, Donald Trump (à direita na mesa), e o presidente da China, Xi Jinping, juntamente com as delegações dos dois países, durante jantar após a cúpula do G20 em Buenos Aires. (Foto: Reprodução)

A “guerra comercial” entre os Estados Unidos e diversos países – especialmente a China – vem preocupando os mercados financeiros no mundo todo. Enquanto crescem as incertezas sobre os impactos sobre a economia global, os principais envolvidos na disputa seguem trocando ameaças e anunciando novas barreiras comerciais. Veja quem ganha, quem perde e como fica o Brasil.

No último encontro do G20, em Buenos Aires, os presidentes dos EUA, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, negociaram uma trégua temporária que adiou um aumento de tarifas planejado para 1º de janeiro, enquanto as duas partes negociam um pacto comercial. Mas as tensões voltaram a aumentar após a diretora financeira do grupo de telecomunicações chinês Huawei, Wanzhou Meng, ser presa a pedido dos EUA. A acusação é de desrespeitar as sanções dos EUA ao Irã.

O economista chefe da Infinity Asset, Jason Vieira, comenta que isso serviu para adicionar ainda mais incertezas sobre o acordo em si. “O contexto ainda é de dúvida do que vai ser da questão ‘guerra comercial’, é tudo muito preliminar. Mas esse fato não colabora, obviamente, é péssimo.”

O que é a ‘guerra comercial’?

A China já vinha sendo acusada por diversos países de não ser um mercado verdadeiramente aberto. “A China se fecha muito para produtos com alto valor agregado (como manufaturados), se abre mais para os básicos. E existe uma grande demanda global, países que querem se aproveitar daquele mercado”, explica Vieira.

Embora as discussões e queixas sobre o comércio exterior com a China não sejam recentes nos EUA, foi no começo de 2018 que o presidente do país, Donald Trump, começou a anunciar medidas protecionistas que atingiam diversos setores de diferentes países. Entre eles, o principal impactado foi o mercado chinês.

As alegações do governo norte-americano incluem a necessidade de reduzir o déficit comercial do país com a China, que chegou ao recorde anual de US$ 375 bilhões em 2017 – ou seja, os EUA querem reduzir a diferença entre o valor total de produtos que compram e vendem dos chineses.

Mesmo com as medidas já anunciadas, porém, isso não aconteceu. Em outubro, o Departamento do Comércio dos EUA informou que o déficit de produtos com os chineses subiu 7,1% em setembro, para US$ 43,1 bilhões – um novo recorde mensal.

Na esteira dos anúncios de taxas extras sobre a importação de produtos chineses, Trump também lançou medidas protecionistas que atingiram outros países da União Europeia, Canadá, México, Estados Unidos, Turquia e Brasil.

Em meio às incertezas do mercado sobre as mudanças, essa sequência de anúncios ganhou o nome de “guerra comercial” porque a China passou a lançar medidas e ameaças em retaliação aos Estados Unidos. O mesmo aconteceu com a União Europeia, porém em menor medida.

As barreiras comerciais também vêm causando uma série de reclamações à Organização Mundial do Comércio, além de impactos sobre as bolsas de valores pelo mundo. Os EUA já aplicaram tarifas sobre US$ 250 bilhões em produtos chineses e ameaçaram taxar outros US$ 267 bilhões. A China, por sua vez, fixou tarifas sobre bens americanos no valor total de US$ 110 bilhões.

De maneira geral, a ameaça de que EUA e China, as maiores economias do mundo, possam passar por dificuldades já gera por si só a preocupação de contágio para outros países. Em setembro, o diretor geral da Organização Mundial do Comércio, Roberto Azevêdo, disse que “o aumento de barreiras cria muita incerteza e vai afetar o crescimento do comércio e o PIB mundial”.

Para a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, disputais comerciais prejudicarão o crescimento global e colocarão em perigo “espectadores inocentes”.

No Brasil, as exportações de produtos primários para a China – um importante comprador do País – vêm registrando saltos nos últimos meses em virtude das restrições dos EUA. A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais projeta que as vendas de soja brasileira para a China batam recorde em 2018, com 68 milhões de toneladas.

No entanto, Nogami aponta que “esse é muito mais um efeito pontual do que qualquer outra coisa”. “A nossa agricultura se beneficia fazendo com que o volume exportado aumente, mas isso pode trazer uma valorização da moeda nacional (queda do dólar) e o produto brasileiro perde competitividade de preço”, explica.

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