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A guerra comercial pode causar perdas de 4 bilhões e meio de dólares para produtores de soja dos Estados Unidos

Sojicultor americano perde duas vezes, ao vender menos para China e ao sentir o efeito da queda de preços (Foto: Reprodução)

O desajuste provocado por Donald Trump no mercado de commodities vai custar caro para os produtores de soja nos Estados Unidos. Da última semana de maio até agora, o contrato de negociação de novembro, o ponto de referência para as vendas da safra 2018/19, caiu 20% na Bolsa de Chicago. A Bolsa é referência de preços para o mercado dos EUA e para o internacional. Essa queda, tendo em vista que ainda faltam 50% da soja da safra 2018/19 para ser comercializada, pode provocar um rombo de até US$ 4,5 bilhões (R$ 17,46 bilhões) no bolso dos americanos.

Daniele Siqueira, analista da AgRural, diz, no entanto, que essa é uma simulação que pode não se confirmar. Os produtores dos EUA não vendem a safra toda durante um mês e, além disso, os preços podem voltar a subir. Se o imbróglio entre China e EUA se alongar e a safra americana continuar prometendo volume elevado, porém, os preços podem continuar em queda. Nesse caso, as perdas dos sojicultores americanos vão continuar por mais tempo e serão pesadas, segundo Daniele.

Os Estados Unidos perdem duplamente com essa guerra comercial. “De um lado, tendem a exportar menos soja para a China, o que já é ruim. De outro, a própria guerra pressiona os preços da oleaginosa para baixo”, diz ela. O produtor do Brasil, ao contrário do dos Estados Unidos, mesmo com a queda de preços em Chicago, mantém rentabilidade com a soja. Dois fatores favorecem os produtores nacionais: a desvalorização do real e os prêmios pagos pela soja brasileira.

Em maio, a soja brasileira tinha um prêmio de US$ 0,60 por bushel (27,2 quilos) no porto de Paranaguá (PR) em relação aos valores praticados em Chicago. Atualmente, esse prêmio está em US$ 2,20 por bushel. Ou seja, os importadores pagam esse valor a mais do que custa a soja em Chicago para ter o produto brasileiro, em detrimento do americano.

Além disso, a desvalorização da moeda brasileira eleva o valor da soja em reais. Com isso, a saca de soja negociada em Sorriso (MT) teve queda de 1% de maio até agora, para R$ 69. Já em Cascavel (PR), o preço permanece estável, em R$ 79, no mesmo período, segundo Daniele Siqueira.

Dados da AgRural indicam que o preço atual de R$ 69 para a saca de soja em Sorriso seria de R$ 55,7 se o prêmio estivesse em apenas US$ 0,60, como em maio.

Pior ainda se o dólar tivesse permanecido em R$ 3,30. Nesse caso, a saca de soja estaria sendo negociada a R$ 45,9 em Sorriso, um valor R$ 23,1 abaixo do preço atual efetivo.

Uma tonelada de soja negociada a US$ 385 no porto renderia R$ 1.347,50 se o dólar estivesse a R$ 3,50. Se cotado a R$ 4, essa mesma tonelada subiria para R$ 1.540.

Depois de uma subida acelerada e atingir o maior preço do ano no início de março, devido à quebra de safra da Argentina, os valores de negociações da soja começaram a cair fortemente a partir de maio. No dia 24 daquele mês, o primeiro contrato da oleaginosa foi negociado a US$ 10,51. Na quarta-feira (11), esteve em US$ 8,30.

EUA aceleram exportações de suco de laranja do Brasil

O Brasil exportou 1,15 milhão de toneladas de suco concentrado na safra 2017/18 (julho a junho), 29% mais do que na anterior. As receitas atingiram US$ 2,1 bilhões (R$ 8,1 bilhões). O número parece bom, mas não mostra a realidade do setor. O crescimento ocorreu devido às exportações recordes para os Estados Unidos, que tiveram problemas na produção e compraram 315 mil toneladas do Brasil, 83% mais do que na safra anterior.

“É um bom desempenho no curto prazo, mas, no médio, preocupa”, diz Ibiapaba Netto, diretor-executivo da CitrusBR (Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos). A citricultura é um investimento de longo prazo e a demanda continua caindo, segundo ele.

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