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A “minha orientação é não fazer nomeação política”, disse o futuro ministro de Minas e Energia. A energia nuclear deverá ter incentivo

Almirante Bento (D) foi anunciado como ministro de Minas e Energia pelo por Jair Bolsonaro (E) na segunda-feira. (Foto: Reprodução/Twitter)

Futuro ministro de Minas e Energia, o almirante Bento Costa Lima Leite de Albuquerque Junior, 60 anos, vai demorar para responder às 1.500 mensagens de WhatsApp que lotaram seu telefone desde que foi nomeado, na semana passada.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, ele afirmou que passa a maior parte de seu tempo estudando os assuntos do ministério e que defenderá a privatização da Eletrobras caso esse seja o melhor modelo para a companhia e para o País.

Pretende diversificar a matriz energética nacional, restringindo projetos de grandes hidrelétricas, e estimular a produção da energia nuclear, concluindo Angra 3, e modificando a legislação que, hoje, amarra a exploração de urânio no País.

1) O senhor estava cotado para assumir o Ministério da Defesa e terminou em Minas e Energia. Como se chegou ao seu nome?

O presidente Bolsonaro me convidou na quarta-feira à noite da semana passada. Até então eu não fazia a mínima ideia de que estaria compondo a equipe do presidente, muito menos o Ministério de Minas e Energia. Tivemos uma longa conversa, ele deu orientações, mas disse que só anunciaria depois que eu falasse com o comandante da Marinha, o atual e também o que virá a sucedê-lo. No dia seguinte, procurei os dois almirantes, falei da minha conversa com o presidente eleito.

2) O que eles disseram?

Ficaram satisfeitos e fizeram uma brincadeira. Pelo desafio que o presidente colocou para mim, disseram que mar grosso é que faz bom marinheiro (risos).

3) Que missão o senhor recebeu de Bolsonaro, afinal?

Quando ele me convidou, falou que tinha o perfil para estar à frente do ministério pelo meu currículo, mas por outro motivo também. Ele disse: “O senhor é uma pessoa que não pertence a nenhum grupo de interesse, a nenhuma corporação envolvida no setor de minas e energia; muito menos tem militância político-partidária”. Foi nesse contexto que ele fez a escolha para essa pasta. Acho que é um novo ciclo dentro daquilo que eu estava acostumado a ver na Esplanada.

4) Sua escolha, então, é para blindar o ministério e o próprio setor de casos como os que ocorreram em Angra 3?

Não sei se para blindar. Recebi uma missão dentro de um novo contexto. Não recebi nenhum pedido para que nomeasse A, B, C ou D. Tenho liberdade total para conduzir o ministério, e a gente sabe que anteriormente isso [indicações] fazia parte de um jogo político para [o governo] ter base.

A recomendação que recebi foi para que, primeiro, não houvesse nenhum tipo de nomeação por interesse de nenhum grupo, inclusive político. Mas, por outro lado, que eu tivesse preocupação em interagir com o Congresso. Mas não no sentido de troca. No sentido de que o Congresso seja aliado e participe das ações, principalmente dentro daquilo que compete a ele [legislar]. Queremos até inovar com o ministério assessorando o Congresso [na elaboração de leis].

5) Já sabe quais serão as prioridades?

Na segunda-feira (3), após o anúncio, vim para Brasília e tive contato com o ministro Onyx Lorenzoni, chefe da transição, e com Paulo Coutinho, coordenador da equipe de transição. Disse o que eu gostaria de saber o que desenvolveram [de estudos e trabalhos] do setor de mineração, óleo e gás e elétrico.

Prepararam isso muito rapidamente e me apresentaram ontem [quarta] à noite. Então qualquer proposição que eu venha a fazer estou tirando um pouco daquilo que estou querendo transmitir ao tomar posse, que é credibilidade, previsibilidade e governança do setor. Minha prioridade é a governança do ministério. Ele é enorme, cada vez que olho o organograma, fico mais impressionado. Mas isso não assusta.

6) O senhor defende continuar Angra 3? Primeiro, se resolveu o problema do preço desse tipo energia [nuclear] para tornar o investimento viável. Antes, não justificava o investimento. Isso mudou há cerca de duas, três semanas. Esse ponto da equação está resolvido. Agora, e o investimento?

Dizem que seria preciso mais R$ 15 bilhões, e já gastamos R$ 16 bilhões. Vale a pena? Eu acho que vale muito a pena. Agora, o país tem recursos para isso? Qual parceria seria melhor para isso?

7) Vão abrir para a iniciativa privada?

Sei que a Eletronuclear está trabalhando nisso e vamos atuar de forma integrada com a equipe econômica e outros atores do governo nisso. Virão sócios privados. Pelo que sei, até 49% [do capital] seria possível.Vai depender do modelo, o tipo de negociação dessa energia [produzida na usina], o prazo, para que o investimento possa dar retorno. Porque você não pode investir em um negócio que, no final, não tiver retorno ou ele chegar muito alongado. Senão, melhor investir em outra coisa.

 

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