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A morte de um jovem após ser imobilizado pelo segurança de um supermercado no Rio foi alvo de protestos nas redes sociais

Cena gravada por testemunha mostra segurança sobre o rapaz imobilizado. (Foto: Reprodução)

A morte do jovem Pedro Gonzaga, 19 anos, em uma filial do supermercado Extra na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio e Janeiro, gerou revolta nas redes sociais. O incidente aconteceu por volta do meio-dia de quinta-feira, quando o rapaz sofreu parada cardiorrespiratória após ser sufocado com uma “gravata” por um dos seguranças da empresa.

Hashtags de protesto como #ACarneMaisBarataDoMercado e #VidasNegrasImportam configuram entre os assuntos mais comentados do Twitter nesta sexta-feira e o nome do supermercado esteve no topo dos Trending Topis. Muitos internautas sugeriram que o episódio envolveu discriminação social, já que era negro.

“Essas cenas constantes desse país colonial precisam acabar”, disse Djamila Ribeiro, autora autora do livro “Quem Tem Medo do Feminismo Negro?” (Companhia das Letras, 2018), em seu perfil do Facebook, referindo-se ao vídeo que circulou nas redes, gravado pelo celular de uma testemunha.

“Em 2019 era pra estarmos discutindo os direitos dos robôs mas estamos discutindo se um segurança do Extra que asassinou um jovem negro de 19 anos é culpado ou agiu por legítima defesa. O racismo acaba de fazer mais uma vítima na cara de vocês, que não enxergam”, postou.

“O que aconteceu no Extra jamais aconteceria com uma pessoa branca, simplesmente porque o corpo de vocês é digno de empatia em todas as situações. As pessoas olham um homem negro no chão, imobilizado e pensam: foda-se, deve ser bandido mesmo. E isso tem a ver com racismo. Revoltante. Vergonhoso. Inaceitável”, tuitou outro.

Famosos também se manifestaram sobre o incidente em seus perfis. Dentre eles a cantora Mahmundi, o ator Ícaro Silva, a chef e apresentadora Paola Carosella e o influenciador digital Spartakus Santiago.

Esses três últimos ressaltaram que a morte de uma cadela por um segurança terceirizado em um Carrefour em Osasco (SP), em 28 de novembro do ano passado, gerou uma repercussão e revolta ainda maior. E eles não foram os únicos a fazer a comparação, tanto que o nome do supermercado Extra entrou nos Trending Topics do Twitter por outros usuários.

Segurança

O segurança Davi Ricardo Moreira deixou a Delegacia de Homicídios na madrugada de sexta-feira, após prestar depoimento e pagar uma fiança de R$ 10 mil.

Ele foi indiciado por homicídio culposo (quando não há intenção de matar) com agravante de inobservância de regra de profissão, e responderá pelo crime em liberdade, uma vez que a pena prevista varia de um a quatro anos, já com o agravante.

Na imagem gravada, Davi aparece deitado no chão, sobre o rapaz imobilizado, aparentemente desacordado. Segundo familiares e parentes, Pedro estaria sob efeito de drogas e seria internado, horas depois, em uma clínica de reabilitação em Petrópolis, na região serrana do Estado.

Alguns clientes que presenciavam a cena alertam, em vão, que Pedro já estava inconsciente e “roxo”. A vítima deu entrada na unidade de saúde por volta das 14h e chegou a ser ressucitada de uma parada cardiorrespiratória, mas sofreu outras duas e morreu às 15h10m.

Ao ser ouvido pelos investigadores, o segurança disse que o jovem estava nervoso e ameaçava matar a todos que estavam no local. Davi negou que tenha apertado o pescoço de Pedro: “Fiquei apenas com meu peso sobre a vítima”.

Empresa

Na tarde dessa sexta-feira, a direção do supermercado Extra emitiu um comunicado em suas redes sociais, lamentando o episódio e o seu desfecho. “Os seguranças envolvidos no caso foram definitivamente afastados”, ressaltou um trecho do texto. “A Companhia instaurou uma sindicância para acompanhamento junto à empresa de segurança e aos órgãos competentes do andamento das investigações”.

Delegado

As câmeras do circuito interno do supermercado ainda não permitiram à Polícia esclarecer todo o episódio. O rapaz estaria sob efeito de drogas ao ser imobilizado pelo segurança do local.

“As imagens não mostram muita coisa, possuem baixa qualidade. As melhores são as divulgadas [gravadas pelo celular de uma testemunha], que mostram de perto como ocorreu”, disse o delegado Cassiano Conte, responsável pela investigação.

Ainda segundo ele, o circuito interno do local mostra que o menino entrou no supermercado com a mãe. Os dois estavam no caixa de pagamento, quando correu em direção aos seguranças, na porta do mercado, e caiu no chão. Ainda não se sabe se ele sofreu um ataque convulsivo ao cair.

A partir do momento da queda, as imagens que circularam nas redes sociais são as que permitem, segundo o delegado, uma melhor análise da abordagem, pela proximidade da filmagem. Um dos pontos de maior discussão é com relação a justificativa e tempo da “gravata”.

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