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A Nasa adiou o lançamento do novo satélite espacial “caçador de planetas”

A Nasa acredita que o Tess poderá descobrir 20 mil exoplanetas. (Foto: Reprodução)

A Nasa confirmou no fim da tarde desta segunda-feira o adiamento do lançamento de seu novo telescópio espacial com o objetivo de procurar por planetas extrassolares – isto é, que orbitam estrelas que não nosso Sol. Originalmente previsto para subir ao espaço no início da noite desta segunda-feira, o equipamento, batizado Tess (sigla em inglês para “satélite de levantamento de exoplanetas em trânsito”), agora tem novo lançamento marcado para as 19h51min (horário de Brasília) desta quarta-feira (18).

O Tess vai subir ao espaço num foguete modelo Falcon 9 da empresa aeroespacial americana SpaceX. A empresa informou que a decisão de adiar o lançamento foi tomada pela necessidade de “análises adicionais” de seus sistemas de navegação e controle, sem dar mais detalhes sobre a questão.

O Tess segue os passos do bem-sucedido observatório espacial Kepler, cuja missão está se encerrando à medida que o equipamento vai ficando sem combustível. O novo telescópio espacial vai “caçar” planetas em torno de algumas das estrelas mais brilhantes e próximas de nosso Sistema Solar, em mais um passo na saga pela apelidada “Terra 2”, um hipotético exoplaneta com dimensões e características parecidas como as do nosso que orbite uma estrela também similar ao Sol a uma distância equivalente à nossa, o que faria dele o mais provável de desenvolver ou sustentar a vida como conhecemos.

Lançado em 2009, o Kepler tinha como principal objetivo verificar a abundância de exoplanetas em nossa galáxia. Para isso, ele passou os quatro anos seguintes focado em cerca de 150 mil estrelas numa relativamente pequena região do céu entre as constelações de Cygnus (Cisne) e Lira medindo diminuições ínfimas em seu brilho provocadas pelos chamados “trânsitos planetários”, que acontecem quando os planetas passam “em frente” de suas estrelas de nosso ponto de vista.

E este objetivo foi plenamente alcançado. Os dados acumulados pelo Kepler neste período permitiram a detecção de mais de 4,5 mil “candidatos” a exoplanetas, dos quais mais de 2,3 mil já tiveram sua existência confirmada por observações e análises posteriores, demonstrando que eles são muito comuns, e não raros, como se pensava até pouco tempo atrás. Tanto que os cientistas hoje acreditam que a grande maioria das estrelas tem pelo menos um planeta na sua órbita, numa população que estimativas apontam poder chegar a centenas de bilhões, ou até trilhões, só na nossa Via Láctea.

O Tess, por sua vez, vai expandir esta busca para quase todo o céu. Com quatro câmeras de amplo campo de visão, o telescópio deverá cobrir uma área equivalente a 85% do firmamento, com mais de 20 milhões de estrelas visíveis, nos primeiros dois anos de sua missão primária. Mas enquanto a maioria das estrelas na região alvo do Kepler estava entre 300 e 3 mil anos-luz de distância de nós, o Tess vai se concentrar em uma lista de aproximadamente 200 mil astros muito brilhantes a até 300 anos-luz da Terra.

“O Kepler encontrou um assombroso número de exoplanetas, mas a maioria deles está muitos, muitos anos-luz de distância, muito tênues para que possamos saber muito sobre eles”, conta Lisa Kaltenegger, diretora do Instituto Carl Sagan da Universidade de Cornell, EUA, considerada uma das maiores especialistas em exoplanetas do mundo e uma das integrantes da equipe científica da missão Tess.  “E é por isso que o Tess é tão importante: ele vai encontrar planetas no nosso quintal cósmico, nos dando uma lista de nossos principais mundos vizinhos para observações posteriores, assim como para planos de viagem num futuro distante.”

Como o Tess vai escanear o céu

Os cientistas esperam que o Tess detecte mais de 1,6 mil exoplanetas na órbita das estrelas em seu foco usando o mesmo método, conhecido como “de trânsito”, do Kepler. Destes, aproximadamente 500 não deverão ter mais que duas vezes o diâmetro do nosso planeta, dos quais cerca de 50 também deverão estar na chamada “zona habitável”, região na órbita das suas respectivas estrelas em que não ficariam nem longe nem perto demais de forma que sua temperatura possibilite a existência de água em estado líquido na sua superfície, condição considerada necessária para desenvolver ou abrigar vida como conhecemos.

A expectativa é que tanto o brilho quanto a relativa proximidade das estrelas que o Tess vai se focar permitam aos cientistas usar uma técnica conhecida como espectroscopia – que analisa padrões de absorção e emissão de luz por diversos fenômenos, elementos e moléculas – para determinar a massa, densidade e composição da atmosfera dos eventuais planetas encontrados com outros equipamentos hoje disponíveis em solo e no espaço, o que pode justamente dar pistas sobre sua capacidade de serem “habitáveis”.

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