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A nova cédula emitida pelo Banco Central da Venezuela tem valor maior que o do salário mínimo do país

Novas notas de bolívares são lançadas pelo BC da Venezuela. (Foto: Reprodução)

O Banco Central da Venezuela (BCV) emitirá uma nova cédula que multiplica por 100 a atual de mais alto valor, informou o organismo nesta quarta-feira (12), em um novo reconhecimento da descontrolada espiral inflacionária.

Segundo o BCV, a partir de quinta-feira circularão novas cédulas de 10.000, 20.000 e 50.000 bolívares. Esta última passa a ser a de maior valor, frente aos de 500, e equivale a US$ 8,10.

A nova nota de 50.000 supera o salário mínimo, de 40.000 bolívares (US$ 6,50), e dá para comprar cerca de 2 quilos de carne. A nota de 500 bolívares não dá nem para comprar um ovo, que custa 900.

As novas cédulas integram o novo plano monetário que entrou em vigor no dia 20 de agosto, com cinco zeros a menos.

Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a inflação chegou a 1.370.000% no ano passado e deve alcançar os 10.000.000% em 2019.

A incorporação das novas cédulas buscam “tornar mais eficiente o sistema de pagamentos e facilitar as transações comerciais”, informou o BCV em um comunicado, indicando que serão emitidas “paulatinamente”.

A medida é anunciada depois que, em 29 de maio, o BCV rompeu o silêncio estatístico de três anos para revelar a inflação de 2018 e que o PIB caiu à metade desde 2013, quando o presidente Nicolás Maduro assumiu o poder.

A Venezuela atravessa a pior crise de sua história recente, com escassez de produtos básicos e uma queda de sua vital produção de petróleo de 3,2 milhões de barris diários para cerca de um milhão na última década.

Inflação

A inflação na Venezuela foi de 31,3% em maio passado, desacelerando em comparação com abril, enquanto o índice anual chegou a 815.194%, segundo relatório do Parlamento de maioria conservadora.

O custo de vida em abril tinha aumentado 44,7%, com o que o acumulado este ano foi de 905,6%, segundo a Comissão de Finanças do Legislativo. “As condições que levaram à hiperinflação (…) se mantêm”, disse o deputado Ángel Alvarado, membro deste comitê, durante coletiva de imprensa.

De fato, o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que a inflação no país chegará a 10.000.000% ao fechamento de 2019.

Rompendo o silêncio de três anos, o Banco Central da Venezuela (BCV) revelou em 29 de maio passado que a inflação tinha alcançado 130.060% em 2018 e que a economia caiu à metade desde 2013. O BC venezuelano ainda não divulgou as cifras de 2019.

O Legislativo, cujas decisões são consideradas nulas pela Justiça, que o considera em desacato, começou a fazer a estimativa por conta própria em 2017 e assegura que em 2018 a inflação foi de 1.698.488,2%.

A Venezuela atravessa a pior crise de sua história recente, o que levou 3,3 milhões de pessoas a migrarem desde 2016, segundo as Nações Unidas, em meio a tensões pela disputa de poder entre o presidente socialista Nicolás Maduro e o líder opositor Juan Guaidó.

Maduro lançou em agosto passado um programa de reformas que incluiu a eliminação de cinco zeros do bolívar e uma depreciação de 96% da moeda, prometendo pôr um fim à emissão de dinheiro sem lastro, o principal combustível da inflação, segundo analistas. Mas desde então, a moeda venezuelana se depreciou outros 99,01%.