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A “Operação Lava-Jato argentina” se aproxima da ex-presidente Cristina Kirchner

A ex-presidente Cristina Kirchner. (Foto: Reprodução)

A Justiça argentina condenou, na terça-feira, o ex-vice-presidente e ex-ministro da Economia do país Amado Boudou a cinco anos e dez meses de prisão por corrupção passiva e negociações ilícitas. A sentença demonstra que a tentativa dos procuradores em esclarecer suspeitas de corrupção e desmandos do kirchnerismo se aproxima da ex-ocupante da Casa Rosada. As informações são do jornal O Globo e do jornal O Estado de S.Paulo.

Entre 2003 e 2015, a Argentina foi comandada por Néstor e Cristina Kirchner, o casal K, que implementaram uma espécie híbrida de populismo, atualizando o velho peronismo mediante uma retórica bolivariana. Segundo a sentença, em 2010, o então ministro da Economia do primeiro mandato da presidente Cristina Kirchner (2007-2011) intercedeu junto à Receita Federal para evitar a falência da firma Ciccone, a mais importante empresa privada do país, afundada em dívidas fiscais, em troca de ficar com 70% das suas ações por meio de dois testas de ferro. Boudou é o mais alto membro do kirchnerismo a ser condenado pela Justiça. Mas não é o único.

Na quinta-feira, foi a vez de Juan Manuel Abal Medina, ex-chefe de gabinete do casal K. Em carta enviada ao juiz federal Claudio Bonadio, reconheceu que recebeu caixa 2 (dinheiro não declarado) para campanha eleitoral. A Justiça chegou a Medina após delação do motorista Oscar Centeno, que durante uma década registrou num caderno as propinas de corporações e empreiteiras beneficiadas por medidas do governo que transportou para autoridades do Executivo.

A relação promíscua entre o empresariado e o governo argentino começa a ficar mais nítida, com os indiciamentos e os primeiros julgamentos. Alguns nomes são inclusive citados nas investigações da Operação Lava-Jato, que se debruça sobre o lulopetismo. As evidências reforçam suspeitas de que o esquema de corrupção envolveu vários países e tinha como um de seus objetivos financiar o projeto político desses governos.

Diários da corrupção

A ex-presidente Cristina Kirchner deve depor nesta segunda-feira (13), de manhã, no processo dos chamados “diários da corrupção”, em que é suspeita de ser a destinatária final de dinheiro proveniente de subornos de empresários. As acusações estão nas anotações e relatos feitos em oito cadernos por Oscar Centeno, o motorista de Roberto Baratta – braço direito do ex-ministro de Planejamento Julio de Vido. Até agora foram mais de 20 depoimentos no caso.

É possível que a atual senadora apenas apresente uma declaração escrita – é a quarta vez que ela vai aos tribunais para depoimentos de causas diferentes. A estratégia de estabelecer um cerco de menor a maior é uma das lições que a Lava-Jato brasileira deixou na Justiça argentina. A primeira rodada já deixou 16 presos, 10 delatores premiados e 1 fugitivo.

Ángelo Calcaterra, primo do atual presidente Mauricio Macri e ex-dono da construtora IECSA – que aparece tanto no argentino “diários da corrupção” quanto na Lava-Jato – inaugurou um capítulo nas investigações sobre corrupção na Argentina: há uma semana, foi o primeiro empresário a admitir ter pago subornos nos governos de Néstor (2003-2007) e Cristina Kirchner (2007-2015).

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