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Brasil A Operação Lava-Jato encontrou senhas que podem abrir a pasta secreta de propinas da Odebrecht

Equipamentos foram encontrados na casa de genro de Emílio Odebrecht durante a 63ª fase da operação. (Foto: Divulgação)

Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão nesta quarta-feira, a Polícia Federal encontrou na casa do ex-diretor jurídico da Braskem, Mauricio Ferro, genro de Emílio Odebrecht, quatro chaves de criptografia que podem abrir duas pastas secretas do Drousys.

Trata-se do sistema de computador de controle de pagamentos de propina do setor de Operações Estruturadas, o “departamento de propina” da empreiteira. Ferro foi apontado por delatores da Odebrecht como o responsável por “dar um jeito” nas chaves.

As chaves são, na prática, pendrives que, quando conectados a um computador permitem acesso a determinadas arquivos ou pastas. Segundo o delegado Thiago Giavirotti, o funcionamento é similar ao de um certificado digital. “Fisicamente, é um pendrive. É possível plugar em qualquer computador de uma forma segura e usar sua área de trabalho com uma chave de acesso”, afirmou Giavirotti.

A própria Odebrecht afirmou ao Ministério Público Federal que Mauricio Ferro foi a última pessoa a ter acesso às chaves de acesso ao sistema. Em relatório produzido pela Polícia Federal, peritos descobriram que o conteúdo de três pastas tiveram seus arquivos apagados.

“A ocultação por executivo da Odebrecht das chaves de acesso a um dos sistemas de contabilidade informal do grupo empresarial constitui fato grave e que coloca em risco a investigação ou a instrução”, afirmou o juiz Luiz Antonio Bonat no despacho que autorizou os mandados de prisão e busca e apreensão.

O diretor jurídico foi preso na manhã desta quarta-feira em São Paulo durante a deflagração da 63ª fase da Operação Lava-Jato, batizada de Carbonara Chimica, referência aos pagamentos que teriam sido feitos a Antonio Palocci e Guido Mantega, ex-ministros conhecidos nas planilhas da empresa como “Italiano” e “Pós-Itália”. Outro alvo da operação desta quarta-feira, o advogado Nilton Serson, não foi preso porque está fora do País.

Mauricio Ferro foi um dos executivos da Odebrecht que não entrou no rol de colaboradores durante as negociações da delação premiada firmada entre a empresa e o Ministério Público Federal.

Segundo o delegado Thiago Giavarotti, os investigadores não conseguem acessar duas pastas dos sistemas, que exigem uma chave de acesso. As pastas fazem referência exatamente ao pagamento de vantagens indevidas mais recentes.

“Em colaboração premiada, alguns dos executivos disseram que [Mauricio Ferro] seria o responsável de dar um jeito nessas chaves. E elas foram encontradas em poder dele”, disse o advogado, que explicou: “Há possibilidade de que em algumas dessas chaves de criptografia encontraremos a senha de acesso a duas pastas do Drousys em que não conseguimos acesso, a despeito da colaborações”.

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