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A polícia brasileira mata mais que as de outros países

Polícia Militar do Rio de Janeiro. (Foto: EBC)

Levantamento da pesquisadora Samira Bueno, diretora executiva do FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública), mostra que a polícia brasileira costuma ser mais letal que a de outros países, quando se leva em conta o total de assassinatos. De acordo com o estudo de Samira, em 2016, para cada 100 homicídios sem o envolvimento de policiais brasileiros, havia 7,8 mortes ligadas à polícia. Nos Estados Unidos e na África do Sul essas taxas foram respectivamente de 2,9 e 3,7. Não havia registro de dados do México para 2015 e 2016, mas a proporção em anos anteriores era inferior à brasileira. As informações são do jornal O Globo.

De acordo com números calculados pela reportagem com base em dados do FBSP, a letalidade policial em território nacional mais do que dobrou em cinco anos .

Dos locais analisados por Samira, apenas El Salvador, constantemente apontado como o país mais violento do mundo, teve um índice maior que o Brasil em 2016: 10,8. Contudo, até 2014, o dado brasileiro era superior. O aumento, no caso de El Salvador, é explicado pelo endurecimento da política antidrogas nos últimos anos contra o tráfico.

“Os dados nos auxiliam a compreender a gravidade do cenário brasileiro em perspectiva comparada e por que o controle e monitoramento do uso da força pelas polícias deveria ser estratégia para as diferentes esferas de governo no País”, escreve Samira.

No caso dos EUA, algumas organizações de direitos humanos relatam subnotificação das mortes por ação policial. Veio dessa desconfiança a iniciativa “The Counted”, um projeto que contabiliza na imprensa mortes ocasionadas por policiais. Os dados indicaram 1.146 vítimas em ações das polícias em 2016, número 160% superior à estatística oficial.

Em 2018, o FBI, o equivalente à Polícia Federal nos Estados Unidos, pediu formalmente às forças policiais do país que, a partir daquele ano, enviassem relatórios mais detalhados sobre homicídios em geral — o que, segundo as organizações, terá o potencial de reduzir o risco de subnotificação das mortes causadas por autoridades.

Ainda que, em relação ao Brasil, os EUA registrem menos letalidade policial, números apurados em outros países desenvolvidos mostram número de homicídios ainda menor. Levantamento feito pela Economist em 2014 apontava que, enquanto em território americano 458 pessoas haviam morrido em razão de ação policial, esse número era de apenas oito na Alemanha e zero no Reino Unido e no Japão.

Contudo, quando se analisa o perfil das vítimas, o exemplo americano se assemelha ao brasileiro. Dados levantados pela Universidade de Washington mostram que, enquanto 0,7 homens brancos eram mortos por policiais a cada grupo de cem mil pessoas, essa relação sobe para 2,2 mortes no caso de homens negros. Isso significa que, em média, a chance de um negro ser morto por um policial é três vezes maior do que a de um branco.

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