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A Polícia Civil prendeu um suspeito de faturar 1 milhão e 500 mil reais com golpe em candidatos à cidadania italiana

Conforme o Deic, homem teria lesado mais de 50 vítimas desde 2017. (Foto: Divulgação/Polícia Civil)

Em uma ação conjunta com agentes locais, a Polícia Civil do Rio Grande do Sul cumpriu em Piracicaba (SP) um mandado de prisão preventiva contra o gaúcho Robert Martini Delazeri, 39 anos, investigado por estelionato e crime contra as relações de consumo. Estima-se que ele tenha lesado mais de 50 pessoas desde 2017, em um total de aproximadamente R$ 1,5 milhão.

De acordo com o delegado responsável, Joel Wagner, a investigação começou em fevereiro, quando a corporação recebeu informações de que o suspeito, por meio da empresa DHG, oferecia serviços de reconhecimento da cidadania italiana mas se ficava com o dinheiro entregue – em reais e euros – pelas vítimas, sem cumprir o serviço contratado.

“O suspeito prometia que o documento estrangeiro seria reconhecido por meio de residência na Itália e não pelo Consulado do país europeu no Brasil”, detalhou Wagner. “Assim, os pretendentes ao direito da cidadania deveriam obter declarações e certidões de nascimento, casamento e óbito de ascendentes italianos, bem como permanecer na Itália por um período que variava de 45 a 90 dias.”

Ainda segundo o titular da Delegacia do Consumidor do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais), as vítimas pagavam em média um valor de R$ 30 mil reais, geralmente em euros, prevendo supostos custos como acompanhamento para a obtenção dos documentos, apostilamento, traduções, passagens aéreas, translado e hospedagem no Exterior.

Em muitos casos, essas pessoas sequer viajavam para Itália, pois os bilhetes de companhias aéreas nem sequer eram adquiridos pelo estelionatário. Já os que conseguiam chegar ao país europeu não encontravam a hospedagem contratada, o que acarretava despesas-extras.

“Elas eram iludidas pelo suspeito a permanecer por lá, sempre com a promessa de obtenção do direito da cidadania”, acrescenta o delegado. “Depois de muito insistir pelos seus direitos, acabavam se dando conta de que haviam sido vítimas de um golpe e retornavam ao Brasil.”

Wagner destaca, ainda, que as vítimas identificadas pela investigação eram, de fato, descendentes de italianos e procuravam obter a cidadania por meio da residência na Itália, até para melhor conhecer o idioma e o próprio país de origem de seus antepassados: “Muitos manifestavam ao suspeito a sua preocupação com a legalidade da obtenção da cidadania, mas ele sempre afirmava que tudo estava sendo realizado de acordo com as normas vigentes na Itália para a obtenção desse direito”.

Patrimônio

Os investigadores descobriram que o homem agora preso possui imóveis na Itália e já estava com mais uma viagem agendada para Milão, nesta quinta-feira. Com ele foi apreendida uma caminhonete Ford Edge, diversos documentos, computadores e celulares. Uma análise preliminar indica que ele permanecia prestando serviços de consultoria, provavelmente cometendo novos estelionatos.

(Marcello Campos)