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A Polícia Federal conclui que houve tentativa de atrapalhar as investigações do caso Marielle, assassinada em 2018

A morte de Marielle completou um ano em março de 2019. (Foto: Reprodução/Facebook)

A PF (Polícia Federal) concluiu que houve tentativa de atrapalhar as investigações dos assassinatos da vereadora Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista, Anderson Gomes. O relatório com os resultados da investigação já foi enviado a Raquel Dodge, procuradora-geral da República, como informou a colunista Mônica Bergamo nesta quinta-feira (23).

A PF entrou no caso em novembro do ano passado, quando começou uma “investigação da investigação”, paralela, para verificar denúncias de irregularidades no trabalho estadual. Quem está apurando a autoria e motivação do crime em si é a Polícia Civil e o Ministério Público do Rio.

Com 600 páginas, o documento concluído pela PF aponta que os responsáveis pela obstrução foram o policial militar Rodrigo Jorge Ferreira, o Ferreirinha, e sua advogada, Camila Nogueira. O agente teria dado um depoimento falso para dificultar a solução do caso. Ele procurou a polícia menos de um mês após o crime, em maio do ano passado, acusando o miliciano e ex-policial militar Orlando Oliveira de Araújo, o Orlando da Curicica, de ter planejado a morte da política junto com o vereador Marcello Siciliano, conforme informou o jornal O Globo na época.

Ferreira contou aos policiais ter ouvido uma conversa, num restaurante em 2017, em que os dois diziam que “precisavam resolver” um problema com Marielle e o deputado Marcelo Freixo (PSOL). Essa foi durante meses uma das principais linhas de investigação da Polícia Civil, mas ambos sempre negaram envolvimento.

O policial militar é ex-segurança de Orlando e pediu proteção ao procurar a polícia, alegando ter sido ameaçado de morte pelo miliciano. Depois, porém, a Polícia Federal descobriu que Ferreira poderia ter algum tipo de interesse em prejudicá-lo: três meses depois de fazer a delação, o PM assumiu o controle de um complexo esportivo na zona oeste do Rio que antes era dominado por Orlando.

Nessa época, a PF cumpriu oito mandados de busca e apreensão ligados ao caso. Os alvos incluíram as casas de Ferreira e de sua advogada; de um delegado federal que levou o PM até os investigadores, Hélio Khristian; do conselheiro afastado do TCE (Tribunal de Contas do Estado) Domingos Brazão; e de mais um ex-policial civil e um ex-policial federal.

A advogada de Ferreira, Camila Nogueira, disse à Polícia Federal na ocasião que desconfiava da versão de seu cliente e que se sentiu usada, conforme depoimento divulgado em março. Ela afirmou que a suposta “manobra” de Ferreira poderia ter ocorrido por ordem de outra pessoa, já que ele “não teria capacidade para tanto”.

Segundo o jornal O Globo, além de Ferreira e Nogueira, o inquérito concluído agora pela PF também cita dois advogados que atuaram na defesa de Orlando da Curicica como suspeitos de tentar obstruir as investigações. Haveria, inclusive, uma conexão entre eles e um policial da Delegacia de Homicídios, que investiga o caso Marielle.

Eles teriam tentado obter uma delação do miliciano, preso desde 2017 em Mossoró (RN), a mando da contravenção. O motivo seria o medo de as apurações do assassinato trazerem à tona outros crimes cometidos por um grupo de matadores de aluguel apelidado de Escritório do Crime, formado por PMs da ativa e ex-policiais.

A entrada da Polícia Federal no caso aconteceu justamente depois que Orlando acusou a Polícia Civil do Rio de coagi-lo a assumir a morte da vereadora e de ser paga para proteger matadores de aluguel. Ele havia dito que policiais da Delegacia de Homicídios recebiam mesadas para não elucidar assassinatos cometidos por esse grupo.

Dois suspeitos de terem assassinado Marielle e Anderson foram presos no dia 12 de março deste ano: o policial militar reformado Ronnie Lessa, apontado como autor dos disparos, e o ex-PM Élcio Vieira de Queiroz, que teria dirigido o carro do crime. Eles continuam detidos preventivamente no presídio federal de Mossoró.

Agora, as investigações da Polícia Civil e do Ministério Público do Rio se concentram em encontrar um possível mandante das mortes, ainda não descoberto um ano e dois meses depois do caso. O veículo em que a vereadora e o motorista estavam foi atacado a tiros no dia 14 de março, no centro do Rio, quando ela voltava de um debate de mulheres negras.

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