A Polícia Federal vai usar imagens para identificar invasores de triplex que levou à condenação do ex-presidente Lula

Manifestantes ficaram no apartamento durante quatro horas. (Foto: Reprodução/Facebook)

A PF (Polícia Federal) vai utilizar fotos e vídeos para identificar as pessoas que invadiram o Condomínio Solaris e o apartamento de cobertura triplex atribuído ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Guarujá, no litoral de São Paulo na segunda-feira (16). Houve arrombamento de portas e moradores foram hostilizados, segundo apuração prévia do órgão.

Aproximadamente 50 integrantes do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e da Frente Povo Sem Medo ocuparam o imóvel após invadir o edifício, localizado na orla da Praia das Astúrias. Eles permaneceram no apartamento por cerca de quatro horas e o deixaram após negocião com policiais militares.

A delegada da Polícia Federal Luciana Fuschini abriu inquérito no mesmo dia por “esbulho possessório”, quando há uma invasão violenta feita por um grupo a um bem. O caso é atribuição do órgão, pois o triplex foi confiscado pela Justiça durante as investigações da Operação Lava-Jato, que condenou Lula, e vai a leilão.

Luciana ouviu cinco moradores e o segurança do edifício. Segundo apuração da delegada, conforme informações da perícia e dos policiais que atenderam o caso, houve invasão uma vez que os manifestantes arrombaram o portão da garagem e, em seguida, a porta do apartamento que ficou ocupado durante a manhã.

Constatou-se, também, que houve tumulto e baderna, e que os condôminos foram hostilizados e ridicularizados pelos manifestantes. Foram recolhidas imagens e áudios gravados pelos próprios moradores, além de vídeos das câmeras de monitoramento do condomínio, que flagraram a movimentação do grupo durante a ocupação.

Os advogados dos dois movimentos se apresentaram na Delegacia da PF, mas não indicaram os envolvidos no ato. “Todas as imagens vão ser analisadas, e as pessoas nelas serão identificadas, para que possam ser responsabilizadas”, afirmou a delegada, que também aguarda os laudos da perícia sobre todos os danos ocasionados.

Invasão

Os manifestantes chegaram ao edifício por volta das 8h30min de segunda-feira. “Se o triplex é do Lula, podemos permanecer. Se não é, por que ele está preso?”, argumentou o integrante do MTST, Josué Rocha. De acordo com ele, mais de 50 pessoas foram ao triplex, e outros 100 manifestantes ficaram na rua.

O grupo estendeu faixas com as mensagens “Povo Sem Medo”, “Se é do Lula, é nosso” e “Se não é, por que prendeu?”, na sacada do apartamento. “Queremos provocar essa discussão. Eles não têm provas de que o triplex é do Lula, não há nenhuma prova da propriedade, a condenação é uma farsa”, disse mais cedo.

O pré-candidato à Presidência da República pelo PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) e coordenador nacional do MTST, Guilherme Boulos, também participou desde cedo da manifestação. Ele anunciou o lançamento da pré-candidatura no dia 10 de março, em São Paulo, com a vice da chapa, a ativista Sônia Guajajara.

Triplex

A invasão acontece nove dias após Lula se entregar para à Polícia Federal. Ele foi preso, após permanecer por dois dias na sede do Sindicato dos Metalúrgicos em São Bernardo do Campo (SP). Foi justamente o caso triplex que ocasionou a condenação do ex-presidente por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Lula foi condenado pelo juiz Sérgio Moro após o magistrado entender que a construtora OAS pagou R$ 2,2 milhões em propina a ele por meio da entrega e a reforma do apartamento, em Guarujá. Desembargadores do TRF-4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região) aumentaram a pena dele para 12 anos e um mês de prisão.

A Justiça em São Paulo ainda decidiu bloquear o apartamento triplex, alvo de investigação pela Operação Lava-Jato. O leilão, conforme previsão inicial, será realizado nos dias 15 e 22 de maio e os lances podem ser feitos pela internet até estas datas. O valor inicial dos lances também é de R$ 2,2 milhões.

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