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A polícia francesa é questionada após a divulgação de um vídeo que mostra estudantes ajoelhados e algemados

A gravação mostra uma truculenta intervenção da polícia em uma escola do Ensino Médio. (Foto: Reprodução)

A gravação de uma truculenta intervenção da polícia em uma escola do Ensino Médio da região parisiense causa indignação da opinião pública nesta sexta-feira (7). Em um vídeo, dezenas de jovens aparecem ajoelhados e algemados, sob olhares de policiais. No total, 153 adolescentes foram detidos no local.

As imagens lotaram as redes sociais na noite de quinta-feira (6). O vídeo mostra jovens cercados pela polícia após uma intervenção no liceu Saint-Exupéry, em Mantes-la-Jolie, periferia de Paris.

Ajoelhados em fileira, algemados ou com as mãos na cabeça, muitos contra um muro, em silêncio e olhando para o chão, eles são observados por policiais. Durante a gravação da cena, o autor da gravação afirma: “Vejam, isso sim é uma classe comportada!”

Os estudantes foram detidos por “agrupamento armado”, segundo o delegado da cidade, Arnaud Verhille, após degradações e confronto com as forças de ordem. Cerca de 70 policiais foram mobilizados para a operação. Segundo as autoridades, 37 jovens de Mantes-la-Jolie continuam detidos para interrogatório nesta sexta-feira.

No total, 280 escolas francesas do Ensino Médio realizaram protestos e bloqueios na quinta-feira (6) em todo o país, levando à detenção de 700 pessoas. O movimento faz eco à mobilização dos “coletes amarelos”, que se manifesta contra o governo francês há três semanas.

Os sindicatos estudantis pedem que os alunos do Ensino Médio não cedam e continuem os protestos. Eles contestam a recente reforma do sistema escolar e têm apoio dos universitários, que também reclamam das mudanças impostas no sistema de seleção para as universidades e do aumento do valor das matrículas para estrangeiros.

Indignação

A classe política francesa expressa nesta sexta-feira sua indignação com o comportamento dos policiais. Em entrevista à rádio France Inter, o ministro da Educação, Jean-Michel Blanquer, classificou as imagens de “chocantes”, mas justificou a ação da polícia.

“Em Mantes-la-Jolie, elementos que não faziam parte do liceu – pessoas com mais de 20 anos e que vieram de outras regiões – roubaram botijões de gás e atacaram as forças de ordem, que os neutralizaram e, efetivamente, os colocaram contra um muro”, declarou. Segundo ele, “há imagens chocantes porque há um clima de violência excepcional”. “Claro que não gostaríamos que as coisas acontecessem desta forma”, reiterou.

“Quaisquer que sejam os incidentes, nada justifica essa humilhação dos menores, filmada e comentada”, declarou o secretário do Partido Socialista, Olivier Faure no Twitter. Ele convocou o ministro do Interior, Christophe Castaner, e da Educação, Jean-Michel Blanquer, a reagir “rápido e corretamente”.

“O que pensar de um governo que trata sua juventude desta forma? Que só consegue manter o controle com a força dos cassetetes. Que não há mais futuro. Que o governo está desesperado”, comentou o deputado François Ruffin, do partido da esquerda radical França Insubmissa.

Laurent Saint-Martin, vice-presidente do partido governista A República em Marcha, não escondeu seu desacordo com a atitude da polícia no liceu Saint-Exupéry. “Quando vi essas imagens ontem à noite, fiquei, como muitos franceses, chocado. Essas imagens são chocantes, podemos nos indignar quando as assistimos”, declarou. Para ele, “será preciso saber se efetivamente era necessário recorrer a esse tipo de ação e dispositivo”, indicou.

Já Valérie Pécresse, presidente do partido de direita Os Republicanos na região parisiense, afirmou que está “chocada com a violência que invadiu os liceus franceses há uma semana”. Fazendo um apelo à “tolerância zero”, ela defendeu a operação. “Os policiais não têm a obsessão de ferir estudantes”, disse. Para ela, é preciso “comemorar que não há nenhuma vítima na cidade, onde botijões de gás foram roubados” pelos manifestantes.

No Twitter, o advogado Jean Pierre Mignard classificou as gravações como “cenas de guerra” e disse que vai acionar o Defensor dos Direitos, autoridade administrativa que protege os direitos dos menores e luta contra as discriminações. “O que foi aquilo? A polícia não poderia simplesmente deixá-los sentados?”, tuitou.

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