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A prefeitura de Veneza decidiu banir os turistas mal-educados por até seis meses

A praça San Marco, no Centro de Veneza. (Foto: Reprodução)

A prefeitura de Veneza, na Itália, aprovou na quinta-feira (12) um regulamento que prevê o banimento de turistas e trabalhadores irregulares que violarem o “decoro” da cidade, que vem buscando formas de conter o crescente descontentamento dos moradores locais com o turismo de massa. As informações são da agência de notícias Ansa.

O projeto, que será submetido a votação do Conselho Municipal, prevê multas de 100 a 300 euros (de R$ 455 a R$ 1.365, segundo a cotação atual) para quem cometer ações que “limitem a livre acessibilidade e usabilidade das infraestruturas ferroviárias, aeroportuárias, marítimas e de transporte público local, urbano e interurbano”.

Além disso, os infratores podem ser banidos de Veneza por 48 horas e, em caso de reincidência, por até seis meses. A medida mira sobretudo comportamentos recorrentes entre turistas, como urinar em lugares públicos, fazer piqueniques no meio das ruas, sentar ou deitar nos degraus das pontes ou sob pórticos e pular nas águas dos canais venezianos.

Não será tolerada nem mesmo as práticas de se sentar na beira dos canais e colocar os pés na água e de usar pranchas de surfe em áreas alagadas em dias de “acqua alta”. O regulamento também proíbe o consumo de bebidas alcoólicas nas ruas das 19h às 8h do dia seguinte.

Ainda há medidas para evitar ações abusivas contra os turistas, como a prática de pegar as bagagens de viajantes na escada para forçá-los a dar dinheiro. O objetivo do regulamento é evitar qualquer ato que possa representar uso irregular do solo público ou que atrapalhe a circulação nas estreitas vias do centro histórico de Veneza.

Nos últimos anos, a cidade vem adotando medidas para reduzir o fluxo de turistas e impondo multas para coibir comportamentos inadequados. Ainda em 2018, a Prefeitura deve começar a testar um sistema de “semáforos” para viajantes na praça San Marco.

Turismo

Em 2017, o turismo internacional movimentou 1,3 bilhão de pessoas pelo mundo, um aumento de 7% em relação ao ano anterior. O maior aumento (8%) foi registrado na Europa, que recebeu 671 milhões de visitas. A Organização Mundial de Turismo (OMT) prevê a continuação deste crescimento, que deve chegar a 1,8 bilhão em 2030.

“O grande desafio neste cenário é garantir um crescimento sustentável, incentivando mudanças no comportamento dos turistas, encorajando práticas sustentável e minimizando qualquer efeito adverso que o desenvolvimento da atividade possa causar nos destinos”, afirma Sofía Gutiérrez, do Departamento de Desenvolvimento do Turismo Sustentável da OMT.

Diante dos atuais problemas e da perspectiva de crescimento, algumas cidades europeias procuram caminhos para conter o turismo de massa e, ao mesmo tempo, promover a atividade de uma maneira sustentável. “As cidades querem o turismo, mas perceberam que há um limite e agora buscam soluções para conduzir a onda de turistas sem acabar com a atividade”, acrescenta Frank Herrmann, autor do livro FAIRreisen – Das Handbuch für alle, die umweltbewusst unterwegs sein wollen (Viagem justa – Manual para todos que querem viajar com consciência ambiental, em tradução livre).

Entre quem busca dar um alívio ao problema está justamente Veneza. Em novembro do ano passado, a cidade proibiu, a partir de 2019, a circulação de grandes cruzeiros no centro.

Já Amsterdã anunciou, em outubro de 2017, a proibição da abertura de novos estabelecimentos comerciais voltados para turistas no centro da cidade, como lojas de suvenires e restaurantes fast-food. Além disso, já havia banido a circulação de ônibus turísticos e cruzeiros na região central, além de proibir a construção de novos hotéis.

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