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Presidente cassada Dilma Rousseff diz que Bolsonaro responderá na Justiça pela leviandade

Dilma disse que o presidente vai responder na Justiça por supostas calúnias contra a petista. (Foto: Wilson Dias/Agência Brasil)

Em nota divulgada na noite de quinta-feira (16), a presidente cassada Dilma Rousseff disse que o presidente Jair Bolsonaro vai responder na Justiça a supostas calúnias contra a petista. Mais cedo, ao receber o prêmio de “personalidade do ano” oferecido pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos em Dallas, nos Estados Unidos, o presidente sugeriu que a petista teria participado de ações armadas durante a ditadura militar que resultaram na morte do capitão do Exército americano, Charles Chandler.

“No Brasil, a política até há pouco era de antagonismo a países como Estados Unidos. Os senhores eram tratados como se fossem inimigos nossos. Agora, quem até há pouco ocupava o governo, teve em sua história suas mãos manchadas de sangue na luta armada, matando inclusive um capitão, como eu sou capitão, naqueles anos tristes que tivemos no passado. Eu até rendo homenagem aqui ao capitão Charles Chandler”, disse Bolsonaro.

O capitão americano Charles Chandler foi morto em 12 de outubro de 1968, no Sumaré, na zona oeste de São Paulo, em uma atentado feito por três militantes da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) e da ALN (Ação Libertadora Nacional). Dilma nunca pertenceu a nenhum desses grupos. Da ação participaram Pedro Lobo de Oliveira, Diógenes José de Carvalho e Marco Antônio Braz de Carvalho, que, segundo Oliveira, fez os disparos.

Dilma foi condenada e presa por integrar o grupo guerrilheiro VAR-Palmares durante a ditadura, mas não existem evidências da participação da ex-presidente em ações violentas. Em nota divulgada na quinta-feira, Dilma afirma que, ao contrário, foram “heróis e homenageados pelo senhor Bolsonaro que, durante a ditadura e depois dela, tiveram suas mãos manchadas do nosso sangue – militantes brasileiros e brasileiras – pelas torturas e assassinatos cometidos contra nós”.

Ao votar pelo afastamento de Dilma em 2016, o então deputado Bolsonaro homenageou o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-chefe do DOI-Codi, local onde ocorreram torturas e assassinatos de adversários políticos do regime durante a ditadura militar. “ O senhor Bolsonaro responderá no juízo criminal e cível por mais essa leviandade contra mim. Ele não poderá se escudar no cargo de Presidente da República e irá ser cobrado por suas mentiras, calúnias e difamações”, afirmou Dilma.

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