Últimas Notícias > Notícias > Mundo > Cuba vai abrir lojas com produtos à venda em dólar para evitar a fuga de divisas

Presidente da Câmara dos Vereadores de Porto Alegre censura exposição de charges com críticas ao governo de Bolsonaro

Mônica Leal considerou ofensivas imagens como a do presidente submisso a Donald Trump. (Foto: Reprodução)

Uma decisão da presidente da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, Mônica Leal (PP), colocou o Legislativo municipal no centro de uma polêmica que trouxe à tona uma palavra associada ao período em que o País vivia sob uma ditadura militar: “censura”. Isso porque, nesta semana, ela mandou retirar sumariamente da entrada do Plenário uma exposição de charges com críticas ao governo de Jair Bolsonaro.

A mostra, intitulada “Independência em Risco”, desagradou a parlamentar, que usou das prerrogativas do cargo para tomar a atitude. Segundo ela, o conteúdo é ofensivo ao presidente da República, referindo-se a desenhos como o do artista gráfico Latuff, em que o chefe do Executivo brasileiro aparece de joelhos, submisso, lambendo os sapatos do colega norte-americano Donald Trump.

Ao todo, 36 trabalhos de 19 integrantes da Grafar (Grafistas Associados do Rio Grande do Sul) podiam ser conferidos pelo público desde o fim da tarde de segunda-feira até o fim do mês. Isso se Mônica não tivesse ordenado a suspensão, cumprida por funcionários da Casa no dia seguinte, menos de 24 horas depois.

Um dos mais indignados com a medida é o vereador Marcelo Sgarbossa (PT), promotor da exposição. “O término antecipado da exibição não pode ser classificado como outra definição que não seja a de um ato de censura”, protesta. “Grande parte das charges critica a ideia de um Brasil independente, onde um presidente escolhe o filho como embaixador para agradar outro país e sempre cede algo sem pedir nada em troca.”

Sgarbossa conta que foi pego de surpresa ao ser comunicado da decisão da presidência da Câmara, quando os desenhos já estavam fora do espaço destinado à exposição. Para quem não viu todo o lote, ele acrescenta a informação de que as charges não têm como alvo apenas Bolsonaro, mas também personagens como o ministro da Justiça, Sérgio Moro.

Contraponto

Ao ser questionada pela imprensa sobre o que muitos acusam de “censura”, Mônica Leal apresenta o seu relato. Ela diz que a solicitação do espaço para a mostra foi feita por e-mail do sistema interno de comunicação do Legislativo, fornecendo apenas o título a reprodução de um dos desenhos, em relação ao qual ela não viu motivos para objeção:

“Tudo indicava uma exposição de cartunistas com um conteúdo sem esse perfil agressivo, mas acabei me deparando com desenhos de pessoas defecando e o presidente Bolsonaro lambendo o sapato de Trump. No Legislativo da capital do Rio Grande do Sul, eu não admitiria essa ofensa de modo algum. O respeito, o bom senso e a razoabilidade são princípios básicos do poder público”.

Manifesto

O episóidio motivou a Grafar a distribuir um manifesto à imprensa. “A sociedade gaúcha defensora da cultura, da liberdade de expressão e da democracia repudia veementemente este ato de censura” e conclama “os democratas e humanistas a resistir a esta tentativa de instaurar no país o mais obscuro projeto de negação dos valores civilizatórios: liberdade, democracia e nação”, diz um trecho da mensagem da entidade.

(Marcello Campos)