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A prisão de Joesley Batista mostra que a Operação Lava-Jato não perdeu o ritmo com a saída do juiz Sérgio Moro

Operação investigou esquema de propina no Ministério da Agricultura para beneficiar políticos. (Foto: Arquivo/Agência Brasil)

Caro leitor, você deve estar perguntando: essa Operação Capitu, deflagrada nesta sexta-feira (9) pela força-tarefa da PF (Polícia Federal), Receita Federal e Procuradoria, já tem o dedo do juiz Sérgio Moro?

Não, certamente não.

Claro que a chegada do juiz da Operação Lava-Jato animou os investigadores – aqui e ali ouve-se relatos de otimismo por dias melhores, mais verbas, mais pessoal. Mas Sérgio Moro mal esquentou a cadeira na Justiça, aliás só assume o posto de superministro em janeiro. E uma operação dessa envergadura, como a Capitu, que mobiliza mais de 300 agentes federais, com deslocamentos de efetivos por diferentes estados, não se faz da noite para o dia.

O inquérito que pegou Joesley Batista – ele de novo! – e, ainda, o vice de Minas Gerais e outros 17 alvos teve início em maio, pela PF de Minas. O primeiro passo foi a delação do doleiro Lúcio Funaro, que apontou os caminhos da propina a servidores públicos e políticos que atuavam “direta ou indiretamente” no Ministério da Agricultura, entre 2014 e 2015.

As cifras são alentadas, claro, como nos tem revelado a Lava-Jato desde sempre. Aqui, as investigações apontam para R$ 7 milhões da JBS em propinas para o grupo político do MDB na Câmara dos Deputados.

A missão desta sexta mostra que a Lava-Jato não perdeu o ritmo e a força e nem vive o seu ocaso. Havia, aparentemente, dado uma trégua na véspera das eleições – até porquê não se pode prender ninguém nessa época, exceto em flagrante –, mas a Capitu nos mostra que a maior operação de combate à corrupção já vista no País não baixou a guarda.

O avanço contra o esquema na Agricultura indica a rotina de malfeitos em setores da Pasta. É a primeira vez que os investigadores abrem essa caixa preta, embora com protagonistas de sempre, Eduardo Cunha, Joesley, Saud.

No ano passado, a PF já havia batido à porta do ministério, mas aí por uma outra razão, a Operação Carne Fraca.

Operação Capitu

Os responsáveis pela Operação Capitu suspeitam que alguns dos políticos por ela investigados praticaram crime eleitoral. Essa possibilidade foi levantada nesta sexta, em entrevista coletiva concedida por integrantes da PF e da Receita Federal em Belo Horizonte.

O caso envolve um esquema de arrecadação de propina dentro do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para beneficiar políticos do MDB, que teriam recebido dinheiro da JBS, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, em troca de medidas para beneficiar as empresas do grupo.

Ao perseguir os ilícitos tributários envolvendo a JBS e uma “grande rede de supermercados” com a qual tinha negócios, os investigadores encontraram indícios de que “essa rede não fazia todos os pagamentos para frigoríficos, mas uma triangulação para dar aparência de legalidade [aos ilícitos praticados]”, disse o superintendente da Receita Federal em Belo Horizonte, Mario Dehon, ao afirmar que os frigoríficos ligados ao grupo estariam usando “dinheiro não lícito” para fazer “repasses a agentes políticos”.

Diante dessa constatação, Dehon disse que a Operação Capitu está “prestes a provar [a prática de] crime eleitoral”, mas que isso só será investigado pelas autoridades competentes, de acordo com o cargo ocupado pelos políticos investigados.

 

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