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A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, busca a recondução ao cargo contra a turma da Operação Lava-Jato

É remota a chance de o presidente Jair Bolsonaro reconduzir Raquel Dodge ao comando da Procuradoria-Geral da República. (Foto: Nelson Jr./SCO/STF)

“Sou a favor da Lava-Jato, mas não de interesses políticos na operação”. É este o mantra repetido entre seus pares pela procuradora geral da República, Raquel Dodge, na pré-campanha pela sua recondução. O recado tem um alvo específico: Deltan Dallagnol, o procurador da Operação Lava-Jato em Curitiba, também apontado como em plena campanha para o comando da PGR (Procuradoria Geral da República). Dallagnol conta com o apoio do ministro da Justiça e Segurança, Sérgio Moro.

O mandato de Raquel Dodge termina em setembro. O Ministério Público realizará eleição interna para enviar uma lista tríplice com os prediletos da categoria à nomeação do presidente Jair Bolsonaro. As votações para as listas tríplices foram criadas em 2001 pela ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República).

Não há garantias nem obrigatoriedade de que Bolsonaro se prenda à votação. E as candidaturas ainda não foram assumidas publicamente. No dia 1º de março, o CSNMPF (Conselho Superior do Ministério Público Federal) decidiu que não lhe cabe regulamentar a lista tríplice. O CSNMPF nem sequer considerou a proposta, surgida na sessão, de limitar a lista ao grupo de subprocuradores-gerais.

Com isso, abriu-se o leque para o presidente escolher entre todos os procuradores da República do País. Além de Dallagnol, aliados de Bolsonaro defendem nomes de procuradores como Guilherme Schelb, ligado à bancada evangélica do Congresso, e Ailton Benedito, de Goiás, que ganhou fama por suas posições conservadoras.

Mas os favoritos para a votação da lista tríplice ainda são subprocuradores, como o primeiro colocado na eleição de 2017, Nicolau Dino, que foi vice-procurador-geral e é aliado de Janot, e o terceiro colocado daquela apertada votação, Mario Bonsaglia. Também está entre os favoritos o presidente da ANPR, o procurador regional José Robalinho Cavalcanti.

Michel Temer optou por Raquel, a segunda colocada, rompendo tradição iniciada no governo Lula de nomear sempre o primeiro da lista. Raquel era (e é ainda) inimiga figadal do então procurador-geral, Rodrigo Janot, que deflagrou a delação premiada dos donos da JBS contra Michel Temer. Janot suspeita que a procuradora-geral tenha mandado investigá-lo para usar contra seus aliados na sucessão. Chegou a suspender sua aposentadoria à espera da eleição na PGR.

Raquel Dodge não tinha (e ainda não tem) fama entre seus pares de uma aliada de Temer, embora o grupo da Lava-Jato tente carimbá-la. Nascida na cidade de Morrinhos, em Goiás, e formada pela Universidade de Brasília, construiu uma carreira respeitada como procuradora durona. Voltada principalmente para a defesa de direitos humanos, especialmente casos de trabalhadores em situação análoga à escravidão.

Integrou a equipe que investigou e prendeu o esquadrão da morte comandado no Acre pelo ex-coronel e ex-deputado federal Hildebrando Paschoal, na década de 90. Hildebrando foi acusado de esquartejar adversários com motosserras. Mas a passagem para o comando da PGR em 2017 arranhou bastante a imagem de Raquel Dodge.

Foi noticiado na época que Temer e o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, fixaram-se no nome da então subprocuradora durante um jantar na casa do ministro, em 27 de junho, o dia em que saiu o resultado da lista tríplice. Participaram do encontro também os então chefes da Secretaria Geral da Presidência, Moreira Franco, e da Casa Civil, Eliseu Padilha. Temer e Moreira estão presos por ordem do juiz Marcelo Bretas, do Rio de Janeiro, no âmbito da Lava-Jato. Padilha era e é investigado nos inquéritos envolvendo o MDB.

A guerra entre Dallagnol e Cia contra Raquel Dodge se acirrou com a proximidade da sucessão na PGR. Principalmente depois que a procuradora-geral pediu, no último dia 12, a anulação do acordo da Petrobras com a Lava-Jato. Pelo acordo, os procuradores que comandam a operação iriam gerir um fundo com R$ 2,5 bilhões provenientes da devolução de desvios detectados na Petrobras nos Estados Unidos.

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