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A Nissan ampliou a investigação sobre o seu ex-presidente Carlos Ghosn para incluir negócios no Brasil, nos Estados Unidos e na Índia

Ex-presidente da aliança Renault-Nissan-Mitsubishi está preso em Tóquio há mais de 3 meses. (Foto: Reprodução)

A Nissan ampliou a investigação sobre o ex-presidente Carlos Ghosn para incluir negócios no Brasil, nos Estados Unidos e na Índia, disseram pessoas com conhecimento do assunto à agência de notícias Reuters.

No Brasil, a investigação avalia o que parecem ser pagamentos excessivos para os serviços de guarda-costas de Ghosn, segundo pessoas próximas a montadora japonesa ouvidas pela Reuters.

O advogado de Ghosn, Motonari Otsuru, não respondeu aos pedidos de comentários. Um representante do executivo nos EUA também se recusou a comentar.

A promotoria de Tóquio acusou formalmente Ghosn de não declarar parte de sua renda acordada com a empresa e de violar a confiança da mesma, se somando a outras acusações.

A nova acusação formal foi apresentada no tribunal de Tóquio no mesmo dia em que expirou o período de prisão provisória de Ghosn, detido em um centro penitenciário da capital japonesa desde o dia 19 de novembro do ano passado. Na véspera, ele não compareceu a um interrogatório por estar com febre alta.

A primeira das novas acusações argumenta que Ghosn teria violado a política corporativa do Japão de usar a Nissan Motor para cobrir uma gama de perdas financeiras pessoais durante a crise de 2008 e pelos pagamentos realizados a um empresário saudita, informou o tribunal.

A promotoria também acusa Ghosn, a Nissan e Gregg Kelly, outro alto executivo da empresa, de não declararem parte das compensações recebidas pelo principal responsável da montadora entre março de 2015 e março de 2018, período que abrange os últimos três anos fiscais japoneses.

Isto se soma à acusação formal pelo mesmo crime no período compreendido entre março de 2011 e 2015, que já foi tramitada pelo tribunal de Tóquio, no mês passado.

As quantias supostamente não declaradas pelo empresário brasileiro às autoridades japonesas equivaleria a cerca de 9 bilhões de ienes (aproximadamente US$ 83 milhões) durante oito anos, segundo a documentação apresentada pela promotoria. Na terça-feira (08), o brasileiro apareceu em público pela primeira vez desde a prisão e afirmou ser inocente, em audiência judicial.

Nissan também decide abrir processo

A Nissan, por sua vez, também decidiu abrir um processo penal contra Ghosn, que já havia sido indiciado em dezembro por uso indevido de fundos da empresa, segundo a agência Reuters.

Já a Renault informou na véspera que a investigação interna da empresa sobre remuneração de Ghosn chegou à conclusão de que não houve fraude em seus pagamentos nos anos de 2017 e 2018. Contudo, a montadora francesa disse, em comunicado, que “conforme a petição inicial, a missão [de investigação] continuará sobre os exercícios anteriores”.

Filho de Ghosn 

Carlos Ghosn poderia ser libertado com a “única condição” de assinar a confissão escrita em japonês, idioma que ele não domina, declarou recentemente Anthony Ghosn, filho do executivo, em entrevista ao jornal francês Du Dimanche.

“O paradoxo desta situação é que a confissão que eles pedem para meu pai assinar é escrita apenas em japonês, só que ele não fala esse idioma”, disse seu filho. Anthony, de 24 anos, disse que não tem contato direto com seu pai. Todas as notícias a seu respeito são passadas para o jovem por meio dos advogados de Ghosn.

“Não tenho notícias diretas sobre ele, tudo que sei é por meio de seus advogados japoneses. Sei que ele está em boa forma, disposto a se defender energicamente, e que ele está muito focado em responder às acusações contra ele”, disse Anthony.

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