Últimas Notícias > Esporte > Futebol > Em meio a homenagens, Pelé completa 79 anos de idade

A Rússia usa o ataque a sauditas para oferecer armas: Vladimir Putin sugere que a Arábia Saudita compre o sistema de defesa russo, em troca do americano, que custou caro e não evitou ação de drones

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, participa de exercícios militares. (Foto: Reprodução/Twitter/@KremlinRussia_E)

O governo da Rússia aproveitou o ataque da semana passada a instalações petrolíferas da Arábia Saudita para ironizar a qualidade dos armamentos norte-americanos – que custaram aos sauditas bilhões de dólares – e fazer propaganda do sistema antimísseis S-400, um das joias da indústria bélica russa. As informações são do jornal The Washington Post.

Lembramos de quando os fantásticos mísseis americanos fracassaram em atingir seus alvos na Síria, mais de um ano atrás, e agora vemos o brilhante sistema de defesa aérea não conseguir repelir um ataque”, disse a porta-voz da chancelaria russa, Maria Zakharova.

Em visita a Ancara, na Turquia, o presidente russo, Vladimir Putin, foi além e adotou uma “conversa de vendedor”. Segundo ele, se os sauditas tivessem comprado o sistema de defesa aéreo russo, o ataque não teria acontecido.

A liderança saudita precisa começar a tomar decisões de Estado mais sábias”, ironizou o presidente, ao lembrar que o governo da Turquia, país-membro da Otan, comprou o sistema S-400.

Rivalidade e disputa por mercado

A rivalidade entre americanos e russos no mercado de armas vem desde a Guerra Fria. Segundo o Instituto Internacional de Pesquisa da Paz de Estocolmo (Sipri, na sigla em inglês), entre 2014 e 2018, os dois países lideraram a exportação de armas no mundo.

Nos últimos anos, a rivalidade tornou-se mais amarga em razão de tensões geopolíticas, na Síria e na Ucrânia, e do desenvolvimento de armas com novas tecnologias. No Oriente Médio, onde as tensões e conflitos cresceram desde a Primavera Árabe, as duas potências competem pelos mesmos clientes.

Apesar de os EUA alardearem que suas armas são melhores, alguns sistemas russos estão desafiando essa afirmação. O principal deles é o S-400, que disputa mercado com o Patriot, usado na Arábia Saudita.

No ataque da semana passada, os sistemas de defesa aéreo sauditas não conseguiram detectar um ataque de drones e mísseis contra as refinarias de Khurais e de Abqaiq.

Patriot americano x S-400 russo

Como o Patriot foi desenhado para neutralizar mísseis balísticos e caças que voam a grande altitudes, os drones, que circulam bem mais próximos do solo, dificilmente são detectados.

Já o S-400 russo usa radares móveis para superar esse problema. Além disso, enquanto o Patriot é limitado para atuar apenas em uma direção, o S-400 funciona em 360º.

Na semana passada, o ataque só poderia ter sido evitado se a bateria antiaérea americana estivesse virada para a direção da qual vieram os drones.

Esse ataque mostra como a capacidade de girar 360º numa bateria antiaérea é imperativa”, afirmou Tom Karako, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais.

O ponto fraco do S-400, no entanto, é sua falta de experiência em combate, uma vez que o Patriot já foi testado na Guerra do Golfo e na invasão do Iraque.

Alguns especialistas ressaltam também que a falta de transparência da Rússia quanto a falhas em seus equipamentos é um ponto a ser levado em consideração. Nos últimos meses, foram registrados ao menos dois acidentes no país, um deles envolvendo um submarino nuclear.

Apesar da rivalidade, a disputa tem sido mais comercial e política do que militar. Moscou tem oferecido o S-400 a tradicionais clientes americanos, como Índia e Catar, a preços promocionais.

A decisão da Turquia de comprar a bateria antiaérea russa fez os EUA suspenderem a venda de caças F-35 para a Força Aérea turca, temendo espionagem militar e industrial.