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A semana de Bolsonaro em Brasília foi marcada por divergências e falhas na articulação

Aliados avaliam que o presidente eleito teve o seu primeiro "banho de realidade". (Foto: Agência Brasil)

A primeira semana de Jair Bolsonaro como presidente eleito em Brasília foi, nas palavras de seus aliados, “um banho de realidade”. Marcado por divergências entre os membros do gabinete de transição, recuos e dificuldades na articulação política, o périplo do político do PSL e ex-militar pela capital federal estendeu-se de terça a quinta-feira com uma série de encontros com autoridades e reuniões de trabalho.

Um dos principais pontos de desencontro foi a reforma da Previdência. Na terça-feira, quando chegou em Brasília, Bolsonaro defendeu a votação do projeto apresentado pelo governo de Michel Temer ainda neste ano. Entretanto, horas mais cedo, um dos filhos do presidente eleito, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), afirmou que considerava difícil a aprovação, pela falta de tempo.

Enquanto isso, Paulo Guedes, indicado para comandar o “superministério” da Economia, defendeu a aprovação da reforma ainda em 2018 e disse que seria necessária “uma prensa” no Congresso para aprová-la. Após críticas do presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), que afirmou que Guedes “não sabe como funciona o Congresso”, Bolsonaro teve que minimizar as declarações e ressaltar que a ideia é dialogar com os parlamentares, e não pressioná-los.

Esse não foi o único episódio de desconforto entre Paulo Guedes e o Congresso Nacional. Na manhã de terça-feira, antes de uma sessão no Legislativo em homenagem aos 30 anos da Constituição Federal, Eunício abordou o futuro ministro para perguntá-lo quais seriam as preocupações com o Orçamento de 2019, ainda em tramitação.

Guedes respondeu dizendo que não estava muito preocupado com o Orçamento (“Vocês façam o de vocês que a gente vai fazer o nosso”, disse a Eunício), porque “qualquer coisa, ele será alterado”, e que a única prioridade do momento era a reforma da Previdência. Segundo ele, se a reforma não for aprovada, a responsabilidade por uma eventual “volta do PT” seria “de vocês” (no caso, Eunício e outros senadores que já acompanhavam a cena).

A falta de articulação política acabou se refletindo no dia seguinte, quando Senado aprovou o aumento do salário dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). Bolsonaro havia dito que via o reajuste “com preocupação” e que não era o momento para aprová-lo.

Mesmo assim, dez senadores que apoiam Bolsonaro votaram a favor do aumento. Condutor da votação, Eunício disse que havia levado o texto ao plenário, entre outros motivos, porque não havia recebido nenhuma ligação do presidente ou de sua equipe para pedir que o reajuste não fosse votado.

Desgaste

Um dos principais pontos de desgaste foi um imbróglio diplomático com o Egito. Na segunda-feira, o país cancelou uma missão comercial brasileira que começaria dali a três dias. Oficialmente, o Itamaraty alegou problemas de agendas.

Nos bastidores, no entanto, a decisão foi vista como uma retaliação à decisão, anunciada por Bolsonaro, de transferir de Tel Aviv para Jerusalém a embaixada brasileira em Israel. No dia seguinte, ao ser perguntado sobre o assunto, Bolsonaro inicialmente não respondeu, mas depois disse que o assunto “ainda não está decidido”.

Outra medida alvo de críticas foi o fato de a primeira lista de nomeações do gabinete de transição, publicada na segunda-feira com 27 nomes, não incluir mulheres. Nos dias seguintes, foram anunciados ao menos quatro nomes de mulheres que farão parte do grupo, mas a nomeação delas ainda não foi oficializada. Na quarta, foi anunciada a primeira ministra: Tereza Cristina, que irá ocupar a pasta da Agricultura.

Uma mudança nos ministérios foi o cargo do general da reserva Augusto Heleno, que desde a campanha era anunciado como titular da Defesa, mas que ficará responsável agora pelo GSI (Gabinete de Segurança Institucional). Além disso, Bolsonaro afirmou que a CGU (Controladoria-Geral da União) pode não ser incorporada ao Ministério da Justiça, como foi prometido no momento da confirmação do nome do juiz Sergio Moro para ocupar a pasta.

Inicialmente, a equipe de Bolsonaro havia dito que o número ministérios seria reduzido para até 15 pastas. Depois, foi dito que poderia ficar “entre 16 e 17”. Na quarta, no entanto, Bolsonaro admitiu que podem ser 18 ministérios. Além disso, o gabinete teve sua primeira baixa: o empresário Marcos Aurélio Carvalho deixou o grupo após dizer à imprensa que gostaria de atuar como um assessor informal para Bolsonaro.

As declarações de Carvalho provocaram desconforto no núcleo duro do presidente eleito. Carlos Bolsonaro, filho de Jair e vereador no Rio de Janeiro, reclamou em sua conta no Twitter do fato dele de apresentar como “marqueteiro digital” da campanha. “Tem uma galera que não se cansa de querer aparecer e usando títulos que não refletem em uma linha de verdade! Todo mundo querendo se dar bem de algum jeito!”, escreveu.

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