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A série de ataques no Ceará reflete a escalada da barbárie sob o comando de facções criminosas em todo o País

O sistema prisional brasileiro enfrenta um grave problema de superlotação. (Foto: Agência Brasil)

A atuação de facções criminosas em todo o País tem levado a violência a um outro patamar. Uma prova disso são os atos de terror que sacodem o Ceará desde o começo do ano. Na última sexta-feira, décimo dia de incidentes, já se contabilizavam cerca de 190 ataques em pelo menos 43 das 184 cidades do Estado nordestino.

Ônibus e carros particulares foram incendiados, prédios públicos e particulares sofreram algum tipo de investida, viaduto teve um pilar danificado por uso de explosivos, lojas comerciais fecharam, o número de ônibus em circulação caiu drasticamente, e serviços públicos, como coleta de lixo e fornecimento de energia já sofrem interrupções. E a ocupação da rede hoteleira registra queda de 15%.

Apesar da presença de cerca de 400 homens da Força Nacional, enviados pelo ministro Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública) a pedido do governador Camilo Santana (PT), a população ainda está com medo de sair às ruas.

Conforme as autoridades, os ataques estão sendo comandados de dentro dos centros de detenção, em represália a diretrizes da recém-criada Secretaria de Administração Penitenciária do Ceará. Seu titular, Luís Mauro Albuquerque.

Ao assumir o cargo, ele anunciou o fim da divisão dos detentos por facção e impôs medidas como a proibição à entrada de celulares nas unidades prisionais. Chefes do PCC e do Comando Vermelho teriam feito uma improvável aliança para tentar inviabilizar as normas.

Desde o início dos ataques, mais de 200 pessoas foram detidas. Nos últimos dias, 35 presos ligados a facções criminosas, e acusados de comandar as ações, foram transferidos para o presídio federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte. Mas as medidas não têm sido suficientes para conter os distúrbios.

Os ataques no Ceará não são o primeiro caso desse tipo no País. Em 2017, fatos semelhantes abalaram Santa Catarina e no ano passado uma sequência de atos de terror assustou moradores de Roraima. Em ambos os casos, as ações foram realizadas de dentro dos presídios.

Demandas

Sobre a mesa de Sérgio Moro, já estão os pedidos dos governadores do Pará, Helder Barbalho (MDB), e do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB). Eles querem o envio da Força Nacional para reforçar a segurança em seus Estados, que também vivem uma crise na segurança pública.

Em editorial nesse fim-de-semana, o jornal “O Globo” avaliou que a criação do superministério da Justiça e Segurança Pública é um acerto por parte do governo do novo presidente Jair Bolsonaro. A União precisava assumir o protagonismo nessa área essencial, diante de um inédito avanço da criminalidade, em que quadrilhas cada vez mais letais já espalham o terror até em países vizinhos, como o Paraguai.

“Para enfrentar esse mal, não há outra saída, a não ser o trabalho conjunto entre governo federal e os Estados, de modo a impedir que a barbárie imposta pelas facções prevaleça”, destacou a publicação.

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