Últimas Notícias > Capa – Destaques > Greve geral contra o governo da Argentina paralisa transportes e serviços e cancela voos no Brasil

A Síria usou gás sarin e cloro em ataques em 2017, disse uma agência que combate armas químicas

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, com o da Síria, Bashar al-Assad. (Foto: Kremlin)

Gás sarin e gás cloro foram utilizados em dois ataques no sul da Síria em março de 2017, reportou nesta quarta-feira (13) a OPAQ (Organização para a Proibição de Armas Químicas). “Muito provavelmente gás sarin foi utilizado como o arma química em Latamné, na Síria, em 24 de março de 2017. A FFM (missão de investigação da OPAQ) também concluiu que gás cloro foi muito provavelmente utilizado como arma química no hospital de Latamné e seus arredores em 25 de março de 2017”, indicou a OPAQ em um comunicado.

Poucos dias depois, em 30 de março, sarin foi usado em um terceiro ataque na localidade de Latamné, conforme declarou no ano passado à AFP o diretor geral da OPAQ Ahmet Üzümcü.

Latamné está localizada cerca de vinte quilômetros ao sul de Khan Sheikhun, localidade controlada por rebeldes e jihadistas na província de Idleb, alvo cinco dias depois, em 4 de abril de 2017, de um ataque aéreo que matou 83 pessoas de acordo com ONU, pelo menos 87, segundo o OSDH (Observatório Sírio para os Direitos Humanos).

Durante a madrugada de 6 a 7 de abril, 59 mísseis de cruzeiro Tomahawk foram disparados por dois navios americanos no Mediterrâneo contra a base aérea síria de Al-Chaayrate (centro).

“As conclusões dos incidentes de 24 de março e 25 de março são baseadas em vários testemunhos, análises epidemiológicas e amostras ambientais”, continuou a OPAQ.

“A coleta de informações e materiais, perguntas feitas a testemunhas e análise de amostras exigiram mais tempo para tirar conclusões”, acrescentou a OPAQ.

A organização também anunciou em maio que seus especialistas haviam acabado de coletar amostras na cidade síria de Duma, palco em abril de um suposto ataque químico que matou pelo menos 40 pessoas, segundo socorristas. As conclusões da investigação da OPAQ ainda não foram divulgadas.

O ataque à Duma, atribuído às forças do governo sírio pelo Ocidente, desencadeou bombardeios de Washington, Paris e Londres contra instalações de energia e um aumento nas tensões diplomáticas.

Recorde

Mais de 920 mil pessoas foram deslocadas na Síria nos primeiros quatro meses de 2018, um número recorde desde o início do conflito há sete anos, anunciou a ONU. “Assistimos a um deslocamento em massa dentro da Síria (…) De janeiro a abril registramos mais de 920 mil novos deslocados”, declarou Panos Moumtzis, coordenador humanitário da ONU para a Síria em uma entrevista coletiva em Genebra.

“É o maior número de deslocados em um curto período de tempo desde o início do conflito”, completou.

A guerra na Síria teve início em março de 2011 com protestos inspirados pelas revoluções da Primavera Árabe, reagindo à prisão e tortura de dois adolescentes que tinham grafitado o muro de uma escola. Com caráter pacífico, os protestos reivindicavam mais democracia e liberdades individuais.

Com a repressão violenta das forças de segurança, os protestos foram se espalhando pelo país e se transformando em uma revolta armada de vários grupos com o objetivo de derrubar o regime de Bashar al-Assad.

Em setembro de 2015, após conseguir aprovação do parlamento, a Rússia começou a realizar ataques aéreos na Síria em apoio às forças de Assad. O governo russo afirma que o alvo era o Estado Islâmico, porém foi acusado de atingir todos os opositores ao regime de Assad.

Desde que recebeu o apoio russo, o governo sírio pôde retomar territórios importantes e estratégicos. No ano passado, conseguiu vitórias importantes contra o grupo jihadista Estado Islâmico.

O saldo de mortes nos 7 anos de guerra é de cerca de 400 mil pessoas.

Deixe seu comentário: