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Taxa de suicídio nos Estados Unidos atinge maior patamar desde Segunda Guerra Mundial

A taxa de suicídio nos Estados Unidos aumentou 33% nos últimos 18 anos. (Foto: Reprodução)

A taxa de suicídio nos Estados Unidos aumentou 33% nos últimos 18 anos e atingiu, em 2017, o maior patamar da história americana desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). De acordo com pesquisa divulgada na última quinta-feira (20) pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC, na sigla em inglês), 10,5 pessoas a cada 100 mil habitantes se matavam em 1999. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.

Quase duas décadas depois, em 2017, esse número passou para 14 – nível registrado pela última vez em 1942, durante o conflito que envolveu as maiores potências globais da época.

Os casos de suicídio nos EUA vem registrando uma escalada desde 2006, e seu crescimento pode ser observado em todos os grupos da população americana: homens e mulheres de várias idades, raças e etnias.

Em termos absolutos, homens continuam se matando mais do que mulheres no país. Dificuldades econômicas, acesso a armas e a disseminação do uso de drogas opioides, como a heroína, estão entre os principais motivos para os números tragicamente históricos.

Apesar de ter havido aumento expressivo de suicídios de jovens e adultos entre 15 e 34 anos, os índices mais altos se concentram entre pessoas que têm de 45 a 64 anos.

Dos 36.782 homens que se mataram em 2017 nos EUA, por exemplo, cerca de 12,3 mil estavam dentro dessa faixa etária. Entre as 10.391 americanas que cometeram suicídio, aproximadamente 4.000 tinham de 45 a 64 anos.

Em termos relativos, a taxa de suicídio entre as mulheres aumentou 53% de 1999 a 2017, enquanto o índice para os homens subiu 26% no mesmo período.

Entre as mulheres, é possível notar aumento significativo nos suicídios entre meninas de 10 a 14 anos, jovens de 15 a 24 e entre as que se declaram americanas nativas – indígenas e descendentes. Nesse caso, o crescimento foi vertiginoso, de 139%, em relação a 1999.

Apesar de generalizado, o aumento das taxas de suicídio não foi igualmente acentuado em todos os grupos.

Aqueles que se identificam como nativos do Alasca ou indígenas tiveram o maior aumento da taxa de suicídio entre todos os grupos pesquisados há dois anos.

O índice sobe de maneira mais aguda quando se trata de mulheres, jovens e adultos de 15 a 44 anos. Os homens desse grupo viram um aumento de 71% na taxa de suicídio.

Esses americanos estão entre os mais pobres e com menor índice de escolaridade do país e, segundo especialistas, também são vítimas de alguns traumas históricos, como o alcoolismo entre indígenas, e da negligência do governo, o que pode ter transformado o suicídio em uma crise para esse nicho.

Além disso, mais da metade das mulheres deste grupo relata ter sofrido violência sexual.

A pesquisa do CDC tem limitações, uma vez que as divisões por grupos raciais e étnicos geralmente apresentam inconsistências, visto que as pessoas se declaram brancas, negras, hispânicas, indígenas, nativos do Alasca, asiáticos etc.

Há pelo menos uma década o suicídio figura entre uma das dez principais causas de morte nos EUA. Em 2016, tornou-se a segunda maior entre pessoas de 10 a 34 anos. Infarto, câncer, overdose de drogas, diabetes e pneumonia também fazem parte dessa lista.

O suicídio e o abuso de entorpecentes influíram em outro índice importante para os americanos: a expectativa de vida.

Em 2017, os EUA registraram cerca de 72 mil mortes por overdose, a maior parte delas pelo uso de opioides como heroína, fentanil, oxicodona, entre outros – o aumento registrado foi de 10% em relação a 2016.

Outro relatório do CDC, publicado no fim do ano passado, mostra que a média de vida dos americanos caiu pelo terceiro ano consecutivo. Em 2016, uma pessoa nos EUA vivia cerca de 78,6 anos, quando em 2015 esse número chegava a 78,8 – mulheres vivem mais (81,1 anos), enquanto homens chegam à casa dos 76,1 anos.

De 1999 a 2017 também aumentou a discrepância entre suicídios em áreas rurais e urbanas – há 18 anos, a diferença era de 1,4, passando para 1,8. A taxa de suicídio nas cidades subiu 16% ante 1999, enquanto nos centros mais afastados e, consequentemente mais pobres, aumentou 53%.