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Venda de celulares no Brasil cai quase 7% em 2018

O valor médio pago por um smartphone aumentou 13,8%. (Foto: Reprodução)

O mercado brasileiro de telefones celulares encolheu 6,8% em 2018, de acordo com relatório da consultoria IDC Brasil. Foram comercializadas 46,9 milhões de unidades, das quais 44,4 milhões eram smartphones e 2,5 milhões features phones (celulares básicos).

“Passamos por três momentos que refletiram negativamente no mercado: a greve dos caminhoneiros, as eleições e a alta flutuação do dólar. O índice de confiança dos investidores diminuiu e, no decorrer do ano, a discussão de temas políticos e socioeconômicos, como a reforma da Previdência e a eleição presidencial, afetaram praticamente todo o setor de tecnologia”, disse Renato Meireles, analista da IDC Brasil.

O analista também apontou para a suposta falta de novidades, principalmente em relação ao design, da indústria. Em 2018, Samsung e Apple, por exemplo, apostaram em mudanças discretas em seus topos de linha, o Galaxy S9 e o iPhone XS.

Já o valor médio pago por um smartphone aumentou 13,8% e passou de R$ 1.149 em 2017 para R$ 1.307 em 2018. Dessa maneira, a receita aumentou 6% para R$ 58 milhões, mesmo com a queda no volume de vendas.

Do total de aparelhos, 39,8% custavam entre R$ 700 e R$ 1.099, baixa de 25,8% em relação a 2017. Os aparelhos entre R$ 1.100 e R$ 1.999 ficaram com 35,6% do mercado, alta de 73,1% em relação ao ano anterior. Os modelos com preços abaixo de R$ 699 ficaram com 14,1% do setor, queda de 41,5%.

Em 2019, a consultoria espera queda de 4,3% para os smartphones, com 42,5 milhões de unidades vendidas, e queda de 6,3% para os feature phones, com 2,4 milhões.

Huawei tenta pela 2ª vez conquistar mercado brasileiro 

A chinesa Huawei Technologies está pela segunda vez tentando conquistar o mercado brasileiro de smartphones, o quarto maior do mundo, lançando dois modelos sofisticados no fim deste mês após uma tentativa com aparelhos mais simples ter fracassado anos atrás.

O movimento permitirá à Huawei avançar além do seu atual papel como fornecedora de equipamentos de rede para as operadoras de telefonia no Brasil, desafiando a sul-coreana Samsung Electronics e a Motorola, marca da Lenovo, que dominam o mercado local de smartphones.

“O Brasil é uma mercado com oportunidades muito significativas para a Huawei e temos um portfólio de produtos competitivo para satisfazer as expectativas de seus consumidores”, disse Ketrina Dunagan, vice-presidente de marketing da Huawei para as Américas, em comunicado enviado à Reuters.

Os planos da Huawei para o Brasil ressaltam o avanço de companhias chinesas em setores de tecnologia e consumo na América Latina, além do tradicional foco em commodities e infraestrutura.

O Brasil é um dos poucos mercados na América Latina em que os aparelhos da Huawei estão ausentes das prateleiras. A companhia atualmente comercializa seus smartphones em 13 países da região, frequentemente com participação de mercado de dois dígitos.

A Huawei, terceira maior fabricante de smartphones do mundo, lançou seu primeiro aparelho no Brasil em 2014, mas o modelo Ascend P7 encontrou pouca demanda e o projeto foi descontinuado.

Agora a companhia planeja importar dois aparelhos premium da linha recentemente lançada P30 Series, equipados com câmeras de alta resolução, informou a Huawei, sem entrar em detalhes antes do lançamento oficial previsto para 30 de abril.

“A estratégia comercial é completamente diferente desta vez porque a marca ainda não é bem conhecida pelos brasileiros”, disse uma fonte com conhecimento do assunto.

Se há cinco anos a Huawei tentou entrar no mercado brasileiro de smartphones como fornecedora para operadoras, que respondem por pouco mais de 10 por cento das vendas de aparelhos no Brasil, desta vez a companhia busca parcerias com redes locais de varejo, que representam mais de dois terços das vendas, explicou a fonte.

A estratégia ainda prevê contratação de uma equipe local para montagem de aparelhos no Brasil futuramente, o que de acordo com a fonte protegeria os preços de oscilações cambiais.

A escolha de modelos mais sofisticados também deve ajudar a Huawei a ganhar a atenção de compradores cada vez mais exigentes.

“O mercado brasileiro atingiu um nível de maturidade e os fabricantes precisam trazer novidades para convencer os consumidores a trocar seus aparelhos por novos”, afirmou Renato Meireles, analista da empresa de pesquisa de mercado IDC Brasil.

As vendas de smartphones no Brasil devem cair 4,3 por cento em 2019, para 42,5 milhões de unidades, de acordo com projeções do IDC Brasil, após retração de 6,8 por cento em 2018.

“O consumo no primeiro semestre ainda será afetado pelas turbulências econômicas e políticas, mas as vendas tendem a melhorar no segundo semestre com a chegada de novos participantes no mercado”, disse Meireles.

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